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Carlos Moedas: “Fim do Procedimento por Défice Excessivo foi uma maratona”

Luís Barra

Comissário lembra que decisão liberta Portugal para o futuro mas que se vai ter de continuar a cumprir as regras

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

"Finalmente conseguimos libertar-nos da camisa de força que tivemos durante tantos anos", afirmou hoje aos jornalistas o comissãrios Carlos Moedas, que considerou que a decisão sobre a saída do Procedimento de Défice Excessivo representa o fim de quase uma década de esforço. "Foi uma maratona", disse.

Segundo o comissário europeu, que falou hoje numa conferência no CCB onde esteve presente o ministro da Economia, "nunca nos devemos esquecer que foi preciso quase uma década para corrigir os erros de uma outra década. Em 2009"– sublinhou – "o país tinha um défice de 10% do PIB, o que significava que gastávamos mais de 20 mil milhões de euros do que aquilo que recebíamos em termos de Estado."

"Isto mostra como os erros em economia se corrigem mas com grandes custos e grandes sacrificios", afirmou ainda Carlos Moedas, que considerou que todos estão de parabéns, em especial o povo português. "É um excelente dia que pode ser o princípio de uma liberdade de escolha muito maior e de uma cpacidade de investir e de tomar decisóes que até agora não podíamos tomar".

O comissário lembrou ainda que foi graças ao facto de Portugal ter cumprido o programa de ajustamento que foi possível "ganhar um primeiro passo de credibilidade, mas conseguimos continuar a cumprir".

"Todos os governos desde 2011 trabalharam para que isto acontecesse, todos estão de parabéns", salientou ainda lembrando que Portugal ganhou uma certa liberdade e credibilidade, o que é muito importante para o futuro, porque se podem tomar decisões que antes não se podia.

Uma das vantagens da saída do PDE é o acesso aos projetos de investimento do plano Juncker, sem contar para o défice, lembrou o comissário, que se referiu ainda ao facto de, agora, se ter de resolver o problema da dívida, embora esta "vá demorar muito mais tempo a resolver".

A Europa olha-nos como um país robusto"

"Hoje temos uma imagem completamente diferente da Europa, que olha para nós como um país robusto", afirmou ainda o comissário em declarações aos jornalistas, salientando que a União está a crescer há 15 trimestres e que tem conseguido que os países resolvam as suas crises.

Moedas lembrou ainda que a recomendação da Comissão "liberta-nos, mas vamos ter que continuar a respeitar as regras".

Quanto à capitalização da Caixa Geral de Depósitos poer vir a estragar as contas do défice, o comissário português considerou que "não deve haver mudança, e com ou sem CGD o que interessa é continuar a manter a trajetória".