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O nosso homem em Moscovo

Sergei Karpukhin

O movimento diplomático deste ano é mais amplo e alarga-se a seis grandes capitais. Vizeu Pinheiro deve regressar à Rússia

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O atual embaixador na OCDE, Paulo Vizeu Pinheiro, deve voltar à Rússia depois de 15 anos. A carreira do diplomata seguiu de perto a de Durão Barroso, com quem trabalhou quando este foi ministro dos Negócios Estrangeiros, primeiro-ministro e presidente da Comissão Europeia. Barroso foi, aliás, buscá-lo a Moscovo em 2002 para vice-diretor-geral do então SIEDM (a secreta para as ameaças externas), organismo de que foi depois diretor-interino até 2005. Entre 2006 e 2009, foi diretor-geral de Política de Defesa Nacional no Ministério da Defesa e, entre 2011-2013, assessor diplomático do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. O próximo passo será, pois, Moscovo do mesmo Putin que conheceu há mais de uma década.

A rotação diplomática em curso é maior do que é habitual, sobretudo porque em alguns postos centrais da diplomacia portuguesa os titulares atingem o limite de idade ou de anos no posto, reconheceu ao Expresso o ministro Augusto Santos Silva. Estão neste caso as embaixadas em Nova Iorque, Paris, Berna, Viena, Pequim e Moscovo. Nos chamados “postos C”, onde são mais duras as condições de vida, a regra é de três anos. Nos A, como Paris, NATO ou a própria Representação Permanente junto da União Europeia, podem ser quatro ou cinco, sem deslustre para a importância política de que se revestem os postos.

A renovação nas assessorias diplomáticas do Presidente da República e do primeiro-ministro também leva a mudanças. José Augusto Duarte seguirá de Belém para Pequim, e Bernardo Lucena de São Bento para a OCDE. Marcelo Rebelo de Sousa já terá manifestado a sua preferência por ter uma mulher como assessora diplomática e a escolha deve recair sobre a embaixadora em Ancara, Paula Leal da Silva, sua antiga aluna. Para São Bento deverá seguir Bernardo Futcher Pereira, atualmente na Irlanda, posto para onde seguirá o representante em Telavive, Almeida e Sousa. Futcher Pereira já foi assessor de Jorge Sampaio.

A mudança nas capitais levou a outros movimentos. Para Paris, onde Morais Cabral atinge o limite de idade, deverá seguir Torres Pereira, que deixa Pequim. De Nova Iorque, depois do brilhante trabalho de fazer eleger António Guterres secretário-geral da ONU, Álvaro Mendonça e Moura passará à disponibilidade. Cede o posto a Francisco Duarte Lopes, atualmente o homem-forte da Direção-Geral de Política Externa e para onde deverá transitar o atual diretor-geral dos Assuntos Europeus, Pedro Costa Pereira. Para este cargo deverá passar Rui Vinhas, atualmente no COPS (Comité Político e de Segurança) na REPER. Gilberto Jerónimo, ex-assessor de Passos Coelho e atualmente na administração do Ministério, deverá preencher esse lugar.

Para Viena deve seguir Almeida Ribeiro, atual embaixador no Vaticano, cargo que deverá ser ocupado pelo chefe do Protocolo de Estado, embaixador Almeida Lima. Ricoca Freire sai de Pretória para Berna e para o seu posto deverá seguir Cansado de Carvalho, agora na Arábia Saudita. Ribeiro de Almeida sai da Colômbia mas mantém-se na América Latina (Argentina). O seu lugar deverá ser preenchido por Gabriela Albergaria, atualmente no Instituto Camões.