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Ao contrário de Passos, Cristas aplaude PIB

alberto frias

CDS entende que tentar desmontar o spin do Governo é inútil. Se há folga orçamental, ainda bem: use-se

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Há boas notícias da economia? Ainda bem. Assunção Cristas não se deixa perturbar por isso e prossegue a estratégia há muito definida: o cenário macroeconómico só lhe interessa numa perspetiva que coloca o CDS inusitadamente ao lado de BE e PCP — se há folga orçamental, em consequência da boa prestação económica, então use-se para acabar com os cortes no investimento público e com as cativações nos ministérios. Em quê é o que irá diferenciar cada um dos partidos.

Sem o dizerem publicamente, os dirigentes centristas entendem que a estratégia do PSD de tentar desmontar o spin governamental em torno dos números do PIB, das exportações ou do desemprego “é tempo perdido” — até porque tão cedo não se consegue contrariar a perceção pública de que está tudo a correr muito bem. Mesmo admitindo que Passos Coelho pode ter razão quando diz que o crescimento económico não é sustentável a longo prazo nos moldes em que está assente — numa conjuntura internacional favorável e num boom do turismo que do mesmo modo que começou pode acabar —, os responsáveis pelo CDS sabem que vai levar muito tempo até que isso seja aferido pelos portugueses.

A alternativa é uma espécie de “se não os podes vencer, junta-te a eles”: se o crescimento for efetivamente superior às previsões (como se deduz dos números do primeiro trimestre avançados pelo INE no início desta semana), então o Governo terá de rever a sua política de cortes e cativações, argumentam os centristas. Não por acaso, o comentário do CDS aos números do INE ficou a cargo de Isabel Galriça Neto, que aproveitou a ocasião para denunciar a falta de anestesistas, de material básico e de tratamentos oncológicos em vários hospitais e unidades de saúde.

Semana negra

A semana de boas notícias para o Governo foi, em contrapartida, uma semana difícil para a líder do CDS que, quarta-feira, pela primeira vez desde que preside ao partido, fez uma intervenção “dura” no Conselho Nacional dirigindo-se diretamente aos seus críticos. Filipe Lobo D’Ávila e Raul Almeida — que integram a única tendência interna considerada como sendo de oposição a Cristas —, criticaram-na por ela ter feito da expansão do metropolitano da capital uma causa nacional do partido (levando-a ao debate quinzenal com o primeiro-ministro) quando se trata de uma questão de Lisboa. Cristas não gostou de ver essas críticas expostas no Facebook e disse-lhes no Conselho Nacional (depois deles terem repetido ali as críticas): “Tanto o Filipe como o Raul têm o meu telemóvel”. Na reunião foi também criticada a aliança do partido, em Lisboa, com o PPM e o MPT, sobretudo depois das polémicas declarações de Gonçalo da Câmara Pereira sobre a candidata.