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Mário Centeno: “O PIB hoje veste ‘Made in Portugal’”

O ministro das Finanças, Mário Centeno, está sexta sexta-feira a ser ouvido na comissão de orçamento e finanças na Assembleia da República

TIAGO PETINGA / LUSA

O ministro das Finanças, que está a ser ouvido no Parlamento, elencou aos deputados os indicadores económicos que têm caracterizado a evolução da economia portuguesa. CDS acusa-o de “retórica e euforia”

O ministro das Finanças, Mário Centeno, disse esta sexta-feira que o crescimento de 2,8% do PIB no primeiro trimestre deste ano “corresponde ao mais elevado crescimento homólogo trimestral deste século”, defendendo que "tem mais valor porque é acompanhado pelo valor de défice mais baixo”. “O PIB hoje veste ‘Made in Portugal’”, afirmou o ministro que está a ser ouvido esta sexta-feira na comissão de orçamento e finanças no Parlamento.

“Estamos a crescer muito acima da União Europeia porque temos três trimestres com esta qualificação”, resumiu o ministro, na sua intervenção inicial, explicando ainda que foi o “diálogo e trabalho construtivo” que geraram o “défice mais baixo de sempre”.

Por trás deste crescimento está “um maior dinamismo das exportações e do investimento”, segundo Centeno, que olha para trás para lembrar que no terceiro trimestre de 2015 a economia portuguesa “estava parada”. “Se havia modelo de desenvolvimento, os motores tinham gripado.”

Mário Centeno fez ainda referência à redução da taxa de desemprego, ao aumento do emprego e promoção do crescimento do mercado de trabalho. “Hoje somos mais no mercado de trabalho do que há um ano, depois de cinco anos de regressão na população ativa”, afirmou. O ministro falou ainda da “solidificação do sistema financeiro, que é um fator decisivo para o financiamento”. “Estamos no caminho certo para o crescimento económico”, concluiu.

O CDS acusa o ministro de “retórica e euforia” e o PCP prefere ser “mais prudente” que Centeno. “Garanto que na minha intervenção não incuti nenhum tom de euforia”, respondeu o ministro à deputada do CDS Cecília Meireles.

Lembrando que em causa não está só o crescimento do primeiro trimestre de 2017, mas também dos anteriores, Centeno respondeu a Miguel Tiago. “Vou tentar moderar o otimismo que leu nas minhas palavras.”

Em novembro, 'o diabo vestia PIB'

Em causa estão em particular os dados do INE, revelados esta segunda-feira, que apontam para um crescimento do PIB de 2,8% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior. Este valor compara com o aumento de 2% registado no último trimestre de 2016, também em termos homólogos.

"Esta aceleração resultou do maior contributo da procura externa líquida, que passou de negativo para positivo, refletindo a aceleração em volume mais acentuada das exportações de bens e serviços que a das importações de bens e serviços", avançou o INE.

A expressão usada por Centeno esta sexta-feira já tem história. Em novembro de 2016, no âmbito da discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2017, no Parlamento, o ministro elogiou os números então divulgados pelo INE que mostravam um crescimento do PIB de 0,8% no terceiro trimestre do ano passado.

“O diabo veste PIB!”, disse então Centeno, explicando na altura que a estratégia de crescimento económico do Governo "assentou primeiramente na melhoria do mercado de trabalho, com resultados já visíveis, refletindo-se na aceleração do crescimento económico”.