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Já são seis as ministras da Defesa na União Europeia. Quem diria?

Roberta Pinotti, ministra da Defesa italiana

Alessandro Bianchi/reuters

Com a nomeação de Sylvie Goulard para ministra da Defesa de França, são seis as ministras que atualmente exercem essa pasta na União Europeia. Ou sete, se contarmos com a Alta Representante para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança da União. Esta quinta-feira, houve reunião de ministros (e ministras) da Defesa em Bruxelas

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

A Europa leva a palma duas vezes. É no velho continente que mais mulheres exerceram mandatos na Defesa, 33 ao todo. E é também um país europeu aquele onde mais mulheres desempenharam o cargo, a Noruega, com seis desde 1999.

A União Europeia tem hoje seis países com mulheres a desempenhar um posto que é tradicionalmente atribuído aos homens: para além da França (que bisa uma mulher), têm-nas também a Alemanha, a Itália, a Holanda, a Eslovénia e a Espanha. Para além, claro, de Federica Mogherini, a italiana conhecida como a ministra dos Negócios Estrangeiros da UE e que é também a “Sra. Política de Segurança e Defesa”.

Se contarmos com as ministras da Noruega e a Albânia, serão oito as mulheres atualmente a desempenhar o posto da Defesa no âmbito da NATO. A Bósnia-Herzegovina, país devastado pela guerra e candidato a membro da NATO, tem também uma mulher no cargo. Em definitivo, as armas (e a sua gestão) já não são um exclusivo masculino, nem muito menos o seu reduto.

A francesa Sylvie Goulard, a minsitra que tomou posse hoje mesmo

A francesa Sylvie Goulard, a minsitra que tomou posse hoje mesmo

foto Charly Triballeau/AFP/Getty Images

O curioso é que, com a consumação do Brexit, serão também em princípio as mulheres que vão gerir os maiores orçamentos de Defesa da União Europeia. Por esta ordem: Alemanha, França, Itália, Espanha e Holanda. Sinal dos tempos.

Em 2008, a imagem da espanhola Carme Chacon a passar revista as tropas, grávida de sete meses, tornou-se icónica. Chacon, que faleceu há um mês, era socialista e ficou famosa por “pisar o risco” por isso mesmo, num país onde as Forças Armadas são intrinsecamente conservadoras. O curioso é que o Partido Popular nomeou também para o cargo no atual Governo uma mulher, Maria Dolores Cospedal, secretária-geral do partido. Em 2012, foi qualificada como uma “líder na cruzada da austeridade” pelo Wall Street Journal, era então presidente da região Castilla-La Mancha.

A ministra espanhola Maria Dolores Cospedale Foto AFP/Getty Images

A ministra espanhola Maria Dolores Cospedale Foto AFP/Getty Images

Foto AFP/Getty Images

A alemã Ursula von der Leyden é atualmente a mais antiga ministra da Defesa na União. Entrou para o Governo em 2013 e pertence à CDU de Angela Merkel, de quem por vezes é considerada possível sucessora. Economista doutorada em medicina, tem sete filhos - uma questão “de género” de que ela não gosta: “Se fosse homem, perguntar-lhe-ia por isso?” Quatro anos depois, já ninguém lhe faz perguntas sobre o assunto.

A mais recente das nomeadas é a francesa Sylvie Goulard, indicada ontem pelo novo primeiro-ministro Edouard Phillippe. Tomou posse hoje mesmo e, por isso, não esteve presente na reunião de Bruxelas. É a mais sénior das mulheres-ministras no governo paritário do novo Presidente Emmanuel Macron, e uma europeísta de gema, que já foi conselheira do presidente da Comissão Romano Prodi, eurodeputada, professora no Colégio da Europa e ex-presidente do Movimento Europeu.

Jeanine Hennis-Plasschaert, a ainda ministra holandesa da Defesa

Jeanine Hennis-Plasschaert, a ainda ministra holandesa da Defesa

Foto AFP/Getty Images

Ceilão precursor

Mas foi na Ásia, no antigo Ceilão e hoje Sri Lanka, que pela primeira vez foi nomeada uma mulher para o cargo: Sirimavo Bandaranaike, que o exerceu quase ininterruptamente, entre 1960 e 1977, com um intervalo de apenas de um mandato. Na gigantesca Índia, Indira Gandhi foi também pioneira em 1975, por duas vezes, ao mesmo tempo que era primeira-ministra, cargo que a tornou famosa.

A alemã Ursula von der Leyen é a ministra da Defesa da União Europeia há mais tempo no cargo

A alemã Ursula von der Leyen é a ministra da Defesa da União Europeia há mais tempo no cargo

Foto ANDERSEN/AFP/Getty Images

Na União Europeia, a tradição é mais recente. Data de 1990 a primeira nomeação de uma mulher para ministra da Defesa e foi na Finlândia, um país precursor no exercício de cargos cimeiros por mulheres. Elisabeth Rehn chamava-se a pioneira. OS países nórdicos ditam a regra nesta matéria, pelo que o segundo país a nomear uma mulher para o cargo na Europa foi a Noruega, em 1999. Pode até dizer-se que aqui é uma prerrogativa feminina: desde essa data que são sempre mulheres que exercem o cargo. Porque será?

A ministra da Eslovénia, Andreja Katic

A ministra da Eslovénia, Andreja Katic

Foto AFP/Getty

O terceiro país europeu com mais mulheres no cargo é a Suécia, quatro ao todo, entre 2002 e 2014. Seguem-se quatro com duas (Espanha, Letónia, República Checa e Eslovénia) e os restantes com uma. Em Portugal, como se sabe, nunca se falou de candidatas ao cargo.

No mundo, a América é o segundo continente com mais mulheres que exerceram ou exercem o cargo (20), seguindo-se a Ásia com 18, África com 14 e a Oceania com um (Austrália).