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Azeredo Lopes “sorriu” com disponibilidade de Putin para revelar conversa com Trump

Sobre as revelações de que o Presidente dos EUA terá passado informação confidencial à Rússia, o ministro da Defesa escusou-se a fazer comentários ou tecer “juízos de valor”, dado tratar-se de “algo que é meramente alegado”

O ministro da Defesa confessou em Bruxelas, ter sorrido ao ouvir o Presidente russo disponibilizar-se para entregar a gravação da conversa entre o seu ministro Serguei Lavrov e o Presidente norte-americano, Donald Trump, acusado de divulgar informações secretas.

Numa conferência de imprensa esta quinta-feira, no final de uma reunião de ministros da Defesa da União Europeia, José Alberto Azeredo Lopes, questionado sobre as revelações de que a administração norte-americana terá passado informação altamente confidencial a Moscovo, escusou-se a fazer comentários ou tecer "juízos de valor", dado tratar-se de "algo que é meramente alegado".

"Do ponto de vista do Estado português, naturalmente que não se vai comentar aquilo que por enquanto está estritamente no plano da alegação e da discussão quanto à ocorrência ou não dessa mesma partilha ou entrega de informações (...) Eu já tenho, acredito, bastantes coisas com que me preocupar, portanto eu vou preocupar-me, quer como cidadão, quer como responsável governativo, no dia em que houver uma qualquer conclusão, se for esse o caso, sobre os factos que atualmente estão meramente no plano da alegação", declarou.

O ministro revelou por outro lado que não pôde deixar de sorrir quando, na véspera, ouviu o Presidente russo, Vladimir Putin, dizer que Moscovo está preparada "para entregar a gravação da conversa entre Lavrov e Trump ao Congresso e ao Senado dos Estados Unidos".

"Posso dizer que vi e não escondo que sorri - embora estas coisas sérias não devessem justificar assim muitos sorrisos - com as declarações do presidente Putin acerca da possibilidade de ele disponibilizar o registo dessa reunião. Enfim, levo isso um pouco mais à conta do sentido de humor discutível do que propriamente de uma qualquer vontade de colaborar numa qualquer investigação que, tanto quanto eu sei, ainda não está a decorrer", afirmou.

Questionado sobre se duvida da boa-fé do Kremlin nesta matéria, sorriu e disse que, como pessoa de bem, não duvida "de ninguém".

"Não tenho que duvidar ou deixar de duvidar. Confesso que sorri, porque me pareceu um exercício de algum humor político e, trate-se de quem se trate, se eu achar piada não consigo resistir a sorrir. Se calhar não devia ter-lhe confessado isto, mas confessei, pronto, está feito", afirmou.

Uma das sessões da reunião desta quinta-feira contou com a participação do secretário-geral da NATO, que, à entrada para o encontro, manifestou confiança em "todos os Aliados" na gestão e partilha de informação sensível, quando questionado sobre o material secreto partilhado pela administração norte-americana com a Rússia.

"Aprecio muito a cooperação que temos no seio da NATO a nível de partilha de informação. Confio em todos os aliados e estou absolutamente certo de que eles sabem partilhar e gerir esta informação de uma boa maneira", disse, quando questionado sobre se estava preocupado por Washington ter partilhado informação altamente sensível com Moscovo.

A imprensa norte-americana noticiou esta semana que na reunião entre Trump e Lavrov, realizada na semana passada na Sala Oval, na Casa Branca, o presidente norte-americano revelou informação classificada ao ministro dos Negócios Estrangeiros e ao embaixador da Rússia em Washington, Serguei Kislyak.

Putin desvalorizou a polémica sobre a alegada revelação, referindo-se-lhe como "esquizofrenia política", e ironizou, afirmando que vai repreender Lavrov, porque "não partilhou essa informação" com a presidência.