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Governo dos Açores avança com concurso que preocupa os americanos

Avança concurso internacional para o porto da Terceira. Decisão vem aparentemente chocar com os “interesses americanos”, tal como foi defendido pelo congressista republicano de ascendência portuguesa Devin Nunes

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O Governo regional dos Açores anunciou o lançamento de um concurso público internacional para a exploração do porto da Praia da Vitória, na ilha Terceira.

A ideia defendida pelo presidente do Governo, Vasco Cordeiro, é atrair investimento para a ilha: "Estamos a dar passos muito concretos no sentido de resolver aquilo que falta resolver relativamento aos efeitos da decisão da Força Aérea norte-americana redimensionar [reduzindo] a sua presença na Terceira".

Para Vasco Cordeiro, que esteve presente na semana passada em Washington na reunião da Comissão Bilateral Permanente, ninguém é para já excluído. A hora é de apresentar propostas, tendo em conta o trabalho a que o seu Governo se comprometeu a fazer no quadro do Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira (PREIT).

"Esta matéria enquadra-se na importância do investimento externo nesta componente de quem quer que seja que veja neste concurso uma oportunidade de rentabilizar os seus legítimos interesses e de, simultaneamente, contribuir para a criação de riqueza e de emprego nos Açores, nomeadamente na ilha Terceira", afirmou o presidente do governo açoriano, após uma receção aos deputados do PS eleitos pela região autónoma, entre os quais Carlos César.

Hipótese preocupa americanos

O concurso lançado pelo Governo dos Açores vem aparentemente chocar com os "interesses americanos", tal como foi defendido pelo congressista republicano de ascendência portuguesa Devin Nunes.

Em entrevista ao Expresso, Nunes afirmou que avisou o governo português que era "uma péssima ideia" permitir que outro país tivesse acesso a algum sítio próximo da base das Lajes e que "estava preocupado" com esse assunto.

"Vender partes da base, devolver casas, permitir que governos estrangeiros detenham qualquer coisa próximo dela seria um erro estratégico relativamente aos EUA", disse Devin Nunes, que não excluiu que falava da China "e outros".

Para o congressista, o próprio Centro Internacional de Investigação dos Açores (AIR Center) "é problemático". "Não estou interessado em que algum governo estrangeiro adversário tenha acesso a locais perto dos EUA", afirmou, adiantando que os EUA puderam ver "o que os chineses fizeram em África, o que estão a fazer em Djibouti, São Tomé, Sri Lanka, criando bases em todo o mundo, e sabemos que estão há muitos anos a olhar para os Açores e para as Lajes."

E advertiu: "Teremos que ser muito cuidadosos no caso de haver um envolvimento de adversários que possam recolher informações ou, lentamente, desenvolver laços económicos".

Na reunião em Washington, Vasco Cordeiro já tinha dito que as questões ambientais se encontravam num impasse e que era preciso "fazer mais e mais rápido" nesta matéria.

"O balanço que fazemos desta reunião é que se podia e devia ter ido mais além e tive oportunidade de dar conta de que não podemos aceitar a forma como este assunto está a ser tratado" pela parte americana, disse, referindo-se em particular ao chamado "impacto ambiental".