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Salvador, com a sua “simplicidade e autenticidade, é um certo herói nacional”

Para Marques Mendes, a vitória de Salvador Sobral é mais um entre os recentes feitos “extraordinários” de Portugal, que vão desde a vitória no Campeonato Europeu de Futebol à eleição de António Guterres como secretário-geral das Nações Unidas. E o que é que isto revela de nós, portugueses? Que “temos talento e qualidade”, embora “às vezes nos falte organização, profissionalismo e, sobretudo, confiança”

Helena Bento

Jornalista

Salvador Sobral disse este domingo, ao chegar ao aeroporto de Lisboa, que não é um “herói nacional” e que esse título pertence a Cristiano Ronaldo, mas para Marques Mendes isso não é bem assim: “Eu acho que ele é um certo herói nacional, que contribuiu para afirmar a autoestima nacional”, disse o comentador, gabando a “simplicidade e autenticidade” do jovem músico que venceu o Festival Eurovisão da Canção. “Ele não entrou naquela palhaçada em que se transformou o festival nos últimos anos e, num tempo em que a tendência é para tudo ser igual, ele conseguiu fazer a diferença, com uma canção romântica simples, que entra no ouvido e no coração”.

Para Marques Mendes, assistir ao final do festival foi como assistir à final do campeonato europeu, no ano passado. “Os sentimentos foram os mesmos - primeiro, o medo que não corresse bem, e depois a confiança na nossa vitória”. A vitória de Salvador “naquele que é uma espécie de campeonato europeu de futebol no domínio da música” é, aliás, o culminar de um período em que Portugal tem feito “coisas extraordinárias”, desde a vitória no Euro à eleição de António Guterres como secretário-geral das Nações Unidas. Para o comentador, todos estes feitos mostram que “temos talento e qualidade”, faltando-nos apenas, “por vezes, organização, profissionalismo e, sobretudo, confiança”.

Quem também tem conseguido ser “diferente” é o Papa Francisco, que “até há uns anos não era devoto de Fátima, mas com a sua vinda ao país, passou a estar muito ligado ao lugar sagrado”. “Ele vinha cansado e até saiu revigorado”, disse Marques Mendes, sublinhando a “popularidade e grande simpatia” do Papa por “crentes e não crentes”, assim como a sua “atitude de muita proximidade e simplicidade”, espelhadas na sua imagem, “de lenço branco, a acenar na despedida, ou naquela sua frase: 'A igreja tem de ser pobre de meios e rica no amor'”. Para o comentador, “há aqui, de facto, uma lógica diferente”. Mas o que mais o “impressiona” no Papa Francisco é mesmo a sua “coragem” - a coragem de tentar mudar uma série de coisas e de chegar a Fátima e dizer que Maria não é a “santinha a que se recorre para obter favores a baixo preço”.

Marques Mendes, que falava este domingo no seu espaço habitual de comentário na SIC, falou ainda sobre a vitória do Benfica e do título de tetracampeão, que considera “justo”, num campeonato “muito fraquinho em que a equipa das águias foi a mais regular” e em que o Porto “não soube aproveitar as oportunidades”. O comentador elogiou ainda o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, pela “estrutura e organização” que conseguiu para o clube. “De alguma forma, copiou ou imitou aquela que foi a fórmula de sucesso dos dragões durante muitos anos”.

Questionado sobre a proposta de Assunção Cristas, candidata à câmara de Lisboa pelo CDS-PP, de aumentar o número de estações de metro na cidade em 20, Luís Marques Mendes falou em “oportunismo político”. “Primeiro, estuda-se, e só depois é que se propõe”. Até porque, questionou, “onde é que iria afinal Cristas buscar o dinheiro?”. Para o comentador, “um líder de um partido, seja ele qual for, tem de ter mais responsabilidade e não optar por promessas de encher o olho, que muitas vezes viram-se contra os próprios candidatos”.