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Marcelo remodela equipa diplomática

José Augusto Duarte com Marcelo Rebelo de Sousa, há um ano, durante a visita 
do Presidente da República a Maputo

António silva/ Lusa

José Augusto Duarte e João Silveira vão voltar à carreira. No gabinete do primeiro-ministro passou-se o mesmo

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

É a primeira grande remodelação na equipa do Presidente da República: José Augusto Duarte e João Silveira, os dois diplomatas que aconselham Marcelo Rebelo de Sousa em matéria política externa, vão deixar o Palácio de Belém. José Augusto Duarte, assessor, assume no final do ano o cargo de embaixador de Portugal em Pequim; João Silveira, consultor, vai no próximo mês para Bruxelas, integrando a Representação Permanente de Portugal junto da UE (Reper). Ao que o Expresso apurou, o futuro assessor diplomático do Presidente deverá ser uma mulher.

Fontes contactadas pelo Expresso asseguram que a mudança na equipa de Marcelo tem que ver com o “movimento diplomático normal” — a mesma razão que justifica que quase todos os assessores diplomáticos da Presidência, ao longo dos anos, tenham ocupado essas funções apenas durante uma parte do mandato do chefe do Estado. As mesmas fontes dão conta de “alguma tensão” entre José Augusto Duarte e o chefe da Casa Civil, Fernando Frutuoso de Melo, mas acrescentam que não foi essa a razão determinante para a mudança. “Desde o início estava previsto que o embaixador José Augusto Duarte estaria durante um período limitado com o Presidente, após o que voltaria à carreira diplomática. Vai acontecer o que ficou combinado”, assegura uma fonte conhecedora do processo.

José Augusto Duarte integrou a equipa presidencial em fevereiro do ano passado, ainda antes da tomada de posse, quando Marcelo tinha quartel-general do Palácio de Queluz para preparar a transição. O diplomata acumulou o papel de assessor do Presidente da República com o de embaixador em Maputo, pois o facto de presidir ao grupo dos países credores de Moçambique, numa altura em que se descobriu uma dívida oculta do país africano, impediu que trocasse de imediato a embaixada pelo Palácio de Belém. Tal só aconteceu depois da visita oficial de Marcelo a Maputo, em maio de 2016.

Saída também em São Bento

À semelhança do que acontece em Belém, também o assessor diplomático do primeiro-ministro está de saída. Bernardo Lucena, que era embaixador em Cabo Verde e está com António Costa desde a primeira hora, seguirá para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento económico (OCDE), possivelmente em setembro, altura em que geral se efetua a movimentação diplomática. Da OCDE sai Paulo Vizeu Pinheiro, que também foi assessor diplomático do então primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, cargo que deixou a meio do mandato deste, em 2013.

O lugar de Bernardo Lucena será preenchido pelo ainda embaixador na Irlanda, Bernardo Futcher Pereira. Futcher Pereira fez parte da equipa de assessoria diplomática do ex-Presidente, Jorge Sampaio.