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Ana Gomes quer ouvir Paulo Portas

Socialista considera “relevante” que ex-vice-primeiro-ministro se encontre com a missão de inquérito que se desloca a Lisboa a 22 e 23 de junho

A lista de personalidades que os eurodeputados da Comissão de Inquérito aos Panama Papers (PANA) querem ouvir em Lisboa ainda não está fechada. Ana Gomes insiste que Paulo Portas deve ser convidado mas, de acordo como uma versão preliminar da agenda a que o Expresso teve acesso, o nome do ex-vice-primeiro-ministro surge apenas no final do documento, na secção “outras sugestões”.

A eurodeputada socialista acusa Nuno Melo – e o Partido Popular Europeu, a que pertence o eurodeputado do CDS – de tentar travar o convite e esta semana enviou um email aos restantes colegas da Comissão de Inquérito a explicar porque considera “relevante que a PANA peça para se encontrar com Paulo Portas”. Ana Gomes escreve que foi Portas quem nomeou o ex-Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, que, por sua vez foi responsável pela não publicação de estatísticas sobre transferências para paraísos fiscais. No email, diz ainda que o ex-líder do CDS foi um dos promotores do esquema de Vistos Gold, menciona ligações a Angola e recupera o caso dos submarinos.

Já Nuno Melo diz que ouvir Portas não se "justifica" , porque não "tem nada a ver com os 10 mil milhões de euros" transferidos para offshores e que escaparam ao controlo inspetivo entre 2010 e 2014. Contrapõe ainda que não era ele - mas o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho - o responsável por nomear Secretários de Estado.

O eurodeputado do CDS vai ainda mais longe e, em declarações ao Expresso, diz que "a Comissão de Inquérito não tem de ser utilizada por causa das obsessões pessoais", referindo-se às várias acusações que Ana Gomes fez a Portas no passado.

A eurodeputada socialista, ouvida também pelo Expresso, rejeita que se trate de uma questão "pessoal". Diz que o convite deveria ser feito, deixando ao ex-governante a decisão de aceitá-lo ou não. "A missão não falha por não se ouvir Paulo Portas", defende ainda.

O braço-de-ferro entre Melo e Gomes na Comissão de Inquérito aos Panama Papers não é de agora. Desde que foi aprovada a missão a Lisboa, no âmbito dos escândalos com offshores, que os dois eurodeputados se lançaram na propostas de nomes. Ana Gomes avançou o de Paulo Núncio e Nuno Melo o do atual secretário de estado dos Assuntos Fiscais, Rocha Andrade. Até agora, não tinham ainda posto reservas aos nomes avançados por um e outro. Outro nome elencado por Ana Gomes nos últimos dias - e que não está no esboço preliminar da visita - é o da deputada e ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque.

Na segunda-feira, a lista de nomes a incluir na missão deverá ser novamente analisada durante a reunião de coordenadores da Comissão de Inquérito aos Panama Papers. Nuno Melo adianta que a decisão de rejeitar o nome de Portas é, em última análise, dos vários coordenadores, incluindo o do PPE. Já Ana Gomes, acredita que só na véspera da visita que decorre a 22 e 23 de junho é que a agenda ficará totalmente fechada, à semelhança do que aconteceu com as missões ao Luxemburgo e a Malta, também no âmbito do escândalo de evasão fiscal, revelado pelos Panama Papers.

A lista de potenciais convidados inclui ainda nomes como José Sócrates, Ricardo Salgado, o juiz Carlos Alexandre , Mário Centeno. Os eurodeputados quererão ainda ouvir os deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito ao Banco Espírito Santo, jornalistas e o Governador do Banco de Portugal.