Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

BE recusa acordo pós-eleitoral no Porto com direita ou com Rui Moreira

Alberto Frias

João Semedo considerou que a sua candidatura sai beneficiada com o facto de o movimento de Moreira, apoiado pelo CDS-PP, ter prescindido do apoio do PS

O candidato do BE à Câmara do Porto, João Semedo, recusou esta quarta-feira qualquer acordo pós-eleitoral “com a direita ou com Rui Moreira [independente]” e disse que “se fosse eleito” presidente “convidaria todos os vereadores a terem pelouro”.

“Não iremos fazer acordos nem com a direita [PSD/PPM] nem com Rui Moreira”, garantiu João Semedo aos jornalistas, considerando que as eleições autárquicas de 1 de outubro na cidade “não são favas contadas” para o movimento independente de Rui Moreira, depois de o PS apresentar Manuel Pizarro como o seu candidato, mostrando-se convencido de que “seguramente não haverá maioria absoluta”.

João Semedo considerou que a sua candidatura sai beneficiada com o facto de o movimento de Moreira, apoiado pelo CDS-PP, ter prescindido do apoio do PS e de os socialistas decidirem avançar com um candidato próprio, afirmando que quer o atual presidente da autarquia, Rui Moreira, quer Manuel Pizarro “saem diminuídos e fragilizados” deste “folhetim”.

Para o bloquista, os dois candidatos, agora adversários, “não vão querer prolongar” esta questão por mais tempo, porque “quanto mais Rui Moreira falar das maldades que atribui a Lisboa, o que é uma narrativa infantil, mais fragilizado sai disto”, e “Manuel Pizarro terá dificuldade em ser a cara do PS contra a humilhação, quando ele é a humilhação em pessoa”.

“Interessante vai ser ver até onde vai chegar a votação do BE. Ao contrário do doutor Manuel Pizarro, nós temos um programa alternativo e, se não ganharmos, seremos força de oposição”, sublinhou.

Semedo falava aos jornalistas no âmbito de uma visita à Associação de Moradores da Zona da Lapa e onde defendeu a criação de espaços verdes públicos em terrenos urbanos abandonados, tal como prevê o Plano Diretor Municipal (PDM), em vigor desde 2006.

Em causa está, a título de exemplo, a criação do Parque da Bouça, situado naquela zona, que foi considerada prioritária no âmbito do PDM mas que, passados 12 anos, não avançou, criando atualmente problemas de insegurança aos munícipes, disse o candidato.

“A única responsabilidade de Rui Moreira é não ter feito exatamente o mesmo que os antecessores não fizeram”, criticou, defendendo uma “gestão camarária de proximidade”, uma “aposta na qualidade de vida” dos munícipes e “não apenas nos grandes projetos”.

Para o bloquista, “o Porto não é apenas a Baixa e o Centro Histórico” e “a esmagadora maioria das pessoas vive nas outras freguesias”, verificando-se, contudo, “que há um Porto a duas velocidades”, em que “há muita atenção ao que se passa na zona histórica e na Baixa, e há uma subestimação e esquecimento do resto da cidade”.

Criticando a falta de investimento nesta área, João Semedo recordou que o PDM de 2006 pretendia duplicar a capacitação de espaços verdes públicos de sete metros quadrados por habitante para 14 metros quadrados por habitante, “ainda assim um valor distante da capitação média das cidades europeias, superior a 20 metros quadrados por habitante”, prevendo que a área da estrutura verde passasse de 156 para 388 hectares, o que não aconteceu até agora.