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Primeiro-ministro voa para o Qatar

Mário Cruz / Lusa

António Costa faz na segunda-feira uma visita oficial de 24 horas ao Qatar para elevar o nível das relações políticas entre os dois países e explorar novas oportunidades de negócios

Durante a sua presença em Doha, António Costa estará acompanhado pelo secretário de Estado para a Internacionalização, Jorge Costa Oliveira, e pelo novo presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), Luís Castro Henriques. Segundo fonte do executivo português, Jorge Costa Oliveira esteve recentemente em Doha, numa deslocação que se destinou a abrir caminho em vários domínios para esta visita oficial do primeiro-ministro, que terá encontros políticos ao mais alto nível.


António Costa será recebido pelo emir do Qatar, Tamim bin Hamad bin Khalifa Al Thani, que ascendeu ao trono em 2013, depois de o pai, Hamad bin Khalifa Al Thani, ter abdicado. O emir do Qatar, de 36 anos, que chefia um país que teve eleições legislativas marcadas para 2013, mas que foram adiadas para 2019, deverá depois visitar Portugal a 04 e 05 de julho - ocasião em que se espera consolidar parte das matérias a acordar nesta segunda-feira entre os governos dos dois países.


No plano institucional, o primeiro-ministro terá ainda uma reunião com o seu homólogo do Qatar, Abdullah bin Nasser bin Khalifa Al Thani, que também assume as funções de ministro do Interior.
Ao contrário da visita efetuada ao Qatar pelo ex-primeiro-ministro José Sócrates no início de 2011, numa altura em que Portugal estava já fortemente pressionado pelo aumento dos juros da dívida e a poucos meses de solicitar resgate financeiro à "troika", a deslocação de António Costa realiza-se com uma conjuntura financeira bem diferente em Portugal.


Nos seus mais recentes discursos perante investidores estrangeiros, o primeiro-ministro tem salientado que Portugal se prepara para sair em breve do Procedimento por Défice Excessivo na União Europeia e que teve em 2016 o défice mais baixo em democracia (2%), registando, em simultâneo, nas últimas semanas, uma tendência de descida dos seus juros a dez anos nos mercados internacionais.
A mensagem de António Costa passa também sempre por apresentar Portugal como um país de "economia aberta" ao investimento externo, com o indicador do crescimento económico a subir e o do desemprego a baixar.


Da parte da tarde, em Doha, depois do programa institucional, o primeiro-ministro terá um encontro com a Câmara do Comércio do Qatar e com a Associação Empresarial do Qatar - duas instituições consideradas importantes num país que tem uma economia baseada no petróleo e, sobretudo, no gás e que procura diversificar as suas áreas de investimento no mercado externo, principalmente através da aquisição de ativos e de compra de dívida soberana de outros países.


Nesta área, o objetivo do Governo será o de procurar captar investimento de empresas do Qatar para setores como o turismo, a construção, ligações áreas ou aquisição de vistos Gold e, em simultâneo, conseguir a entrada de empresas portuguesas em projetos de construção de infraestruturas.
O Qatar, um país com pouco mais de dois milhões de habitantes, organiza o Campeonato do Mundo de Futebol em 2022 e regista um crescimento médio anual de 8,6%.


Antes de regressar a Lisboa, o líder do executivo português encontra-se com elementos do "Portuguese Business Network", na sua maioria jovens ligados a projetos com novas tecnologias, e desloca-se à Universidade Hamad Bin Khalifa (Fundação Qatar). De acordo com dados do executivo, residem atualmente no Qatar cerca de 1.500 cidadãos nacionais e é intenção do Instituto Camões instalar uma representação em Doha para a promoção da língua portuguesa, preparando assim terreno para que seja a prazo ensinada uma cadeira de português na universidade.


Já no plano diplomático, ainda segundo fonte do executivo de Lisboa, Portugal e o Qatar equacionam a possibilidade de estabelecerem um protocolo para apoio recíproco a candidaturas de cada um dos países a lugares em organizações internacionais.