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Pizarro contra Rui Moreira: “Há convites que tornam mais pequeno quem os aceita”

Mário Cruz / Lusa

Novo candidato do PS à Câmara do Porto coloca em causa possível acordo pós-eleitoral com Moreira. “Infelizmente, e depois daquilo que se passou ontem, não vai ser possível continuar por mais quatro anos esta associação”, disse esta tarde na convenção autárquica do PS

A presença não estava sequer prevista no programa inicial da Convenção Autárquica do PS, que este sábado se realizou em Lisboa. Mas quando Manuel Pizarro foi anunciado no pavilhão Carlos Lopes e rumou ao palco, por volta das 17h15, deu origem à maior ovação da tarde até então. Abraçou a secretária-geral adjunta Ana Catarina Mendes, primeiro, o secretário-geral António Costa, depois, e cumprimentou toda a plateia, por fim, de punho erguido e ao som dos gritos "PS!, PS!, PS!". Mesmo sem discursar, o recém-candidato à Câmara Municipal do Porto tornava-se a figura do dia na reunião socialista.

A entrada triunfante ocorria cerca de cinco horas depois ter sido formalmente anunciado como candidato, na sequência de um volte-face provocado por um presidente independente e recandidato que se quis desmarcar do apoio do partido. Mas Rui Moreira - que era até ontem a solução defendida por Pizarro como candidato apoiado pelo PS na cidade do Porto - não se transformou subitamente num alvo do agora opositor, quando este finalmente discursou.

"Eu nem contava estar aqui hoje", disse inicialmente, justificando, entre sorrisos na plateia, a sua presença na convenção na sequência de "uma profunda alteração no quadro político em que vão ser disputadas as autárquicas no Porto". Mas deixou o aviso. "Não esperem que venha aqui fazer uma análise crítica à entrevista de ontem ou às notícias que foram saindo nos últimos dias". Até porque, como tinha sublinhado antes, "o acordo entre o PS e Rui Moreira teve resultados muito positivos", que o levaram a defender o apoio socialista à recandidatura do atual presidente da CM do Porto.

"Mas à pergunta sobre se é possível, nas circunstâncias de hoje, perserverar na ideia de um apoio a Rui Moreira, tenho de dizer que não é possível prosseguir essa solução", acrescentou. "Infelizmente, e depois daquilo que se passou ontem , não vai ser possível continuar por mais quatro anos esta associação".

Há pouco mais de um ano, em entrevista ao "JN", o próprio Pizarro defendeu que "ninguém entenderia se concorresse contra Rui Moreira". Mas entretanto as circunstâncias mudaram. E se ontem, Rui Moreira, em entrevista à SIC, louvou a o trabalho e a lealdade de Pizarro como vereador na Câmara Municipal do Porto e assumiu que gostaria de contar com ele na sua lista, mas não como militante do PS, Pizarro registou. E, mesmo prometendo que não irá "alimentar picardias", respondeu com um recado.

"Há convites que, feitos num determinado tempo e num determinado modo, não podem ser aceites. Porque tornam mais pequenos quem os aceita", disse, acrescentando mais à frente não aceitar que a sua condição de militante do PS o "diminua ou constranja" nas soluções políticas para o Porto.

Confrontado com a inevitabilidade de o PS "apresentar a sua candidatura no Porto", Pizarro rejeitou a ideia de que "na política haja becos sem saída" e prometeu que fará "campanha com o entusiasmo e a elevação de sempre". "Porque não estou zangado nem procuro compensação", rematou, depois de ter defendido, "sem complexos ou falsas modéstias", que a governação da cidade nos últimos quatro anos "foi melhor" porque concretizou o que o PS defendia na altura em que assinou, em 2013, após as autárquicas, o acordo com a candidatura de Moreira.