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João Semedo do BE: Pizarro não tem condições para ser “alternativa” a Moreira

Alberto Frias

O candidato do BE no Porto disse este sábado que “Manuel Pizarro carregará por muito tempo o peso do seu seguidismo a Rui Moreira”, não tendo condições para “protagonizar com credibilidade uma alternativa” à política do independente. “O que sobra a Rui Moreira em arrogância e presunção falta a Manuel Pizarro em coerência e dignidade políticas”

O candidato do Bloco de Esquerda (BE) à Câmara do Porto, João Semedo, considerou este sábado que o socialista Manuel Pizarro não tem condições para “protagonizar com credibilidade uma alternativa” à política do independente Rui Moreira, com quem manteve um compromisso.

“Rui Moreira e Manuel Pizarro saem ambos muito enfraquecidos deste processo. Rui Moreira perde um importante aliado (...). Manuel Pizarro carregará por muito tempo o peso do seu seguidismo a Rui Moreira. Este tão prolongado, extenso e profundo compromisso de Manuel Pizarro com as políticas de Rui Moreira não lhe permite agora protagonizar com credibilidade uma alternativa a essa política e a Rui Moreira”, afirmou à Lusa o bloquista.

Para João Semedo, que reagia à Lusa ao anúncio de que Manuel Pizarro é o candidato do PS à presidência da Câmara do Porto nas eleições autárquicas, “o que sobra a Rui Moreira em arrogância e presunção falta a Manuel Pizarro em coerência e dignidade políticas”.

O PS/Porto anunciou este sábado a candidatura de Pizarro à Câmara da cidade, depois de o presidente da autarquia, o independente Rui Moreira, ter dito em entrevista à SIC, na sexta-feira, que não aceitava o apoio do PS, mas que contava com o agora seu adversário socialista na sua lista de recandidatura, mas não na segunda posição.

A posição do movimento independente de Rui Moreira surgiu na sequência das declarações da secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, que disse esta semana que uma vitória do atual autarca do Porto seria “uma vitória do PS”.

João Semedo criticou o facto de “ao longo de todo este processo” não ter ouvido a Rui Moreira nem a Pizarro “uma só palavra sobre os problemas da cidade e dos portuenses”.

“Não são esses os motivos que os afastam, um e outro movimentam-se em função do seu poder pessoal, da sua carreira política e dos lugares que ela lhes destina”, disse, sublinhando que não se identifica com “esta forma de fazer política, onde o golpe, o truque e a artimanha satisfazem as ambições de alguns, mas empobrecem a democracia”.

Para o bloquista, Manuel Pizarro já foi hoje mesmo “muito claro na defesa da política realizada por Rui Moreira e por ele próprio na Câmara do Porto nestes últimos quatro anos, frustrando as expectativas de mudança dos militantes e apoiantes socialistas”.

“A minha candidatura à Câmara do Porto ganha hoje uma acrescida responsabilidade na mobilização da vontade e do apoio dos socialistas e de outras mulheres e homens de esquerda para, todos juntos, construirmos uma candidatura capaz de vencer as politicas de direita e de apresentar à cidade uma proposta alternativa, socialista e de esquerda que ponha as pessoas e os seus problemas no centro da política municipal”, concluiu.

João Semedo criticou “a sucessão de episódios que culminaram com o anúncio da candidatura” socialista, classificando-os como “um triste espetáculo” que “envergonha e desacredita os seus protagonistas [Rui Moreira e Manuel Pizarro]”.