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Costa zangado com Moreira não tentou negociar

JULIEN WARNAND/EPA

Decisão de avançar com candidatura própria ao Porto foi a primeira intenção do secretário-geral assim que rebentou a polémica. "O PS não é o Partido da Terra", diz fonte da direção

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

António Costa não contactou Rui Moreira depois da candidatura independente ter feito saber, na quinta-feira ao fim da tarde, que prescindia do apoio do PS, confirmou o Expresso junto da direção do PS e do movimento "Porto, o nosso partido". Isto significa que, a partir do momento em que Moreira endureceu posições, Costa achou que não havia a mínima condição para qualquer diálogo ou negociação.

"O PS não é o Partido da Terra. Costa não podia aceitar. O que aconteceu foi humilhante", afirmou ao Expresso fonte da direcção socialista, cosniderando que Moreira comportou-se como "um traidor" e "sem consideração" pelo secretário-geral do PS com quem mantinha uma boa relação. Para mais, em cima da convenção autárquica nacional do PS que este sábado se realiza em Lisboa.

Costa e o autarca falaram telefonicamente na manhã de quinta-feira, como este revelou à SIC, ou seja depois das polémicas declarações de Ana Catarina Mendes em entrevista ao Observador em que dizia que a vitoria de Moreira seria uma vitória do PS. E foi depois dessa conversa que, mesmo assim, o autarca do Porto decidiu subir o tom fazendo passar a informação de que o apoio do PS não era bem-vindo.

Perante isto, Costa entendeu que não havia outra solução que não o PS avançar com candidato próprio ao Porto rapidamente e que a pessoa indicada teria que ser Manuel Pizarro, líder da federação e vereador. Moreira abriu a porta a que Pizarro integrasse as suas listas como independente, mas na reuniao de ontem da concelhia do PS a decisão foi unânime: a única saída era o vereador avançar como candidato.

Na direção do PS, considera-se que Pizarro seria o natural número 2 da candidatura de Moreira, dado que tem os pelouros mais importantes a seguir ao presidente e daí também estranhar-se que o autarca tenha dito que o número 2 da câmara seria sempre um independente, como sucedeu há quatro anos. Entre ficar relegado para um terceiro lugar ou concorrer sozinho, o PS escolhe a via autónoma.