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Passos confia na vitória do “moderado” Macron enquanto pede um Brexit suave

Rui Duarte Silva

Enquanto pede um Brexit suave, Pedro Passos Coelho vê uma Europa com diferentes “europas” dentro, acredita na vitória eleitoral de Macron, embora não saiba que reformas o candidato conseguirá implementar

“O que é a Europa?”, foi assim que o presidente do Partido Social Democrata, Pedro Passos Coelho, iniciou o seu discurso, na abertura do seminário internacional “Futuro da Europa”, organizado pelo Partido Popular Europeu no Palácio da Bolsa, no Porto, iniciado esta quinta-feira e que encerra amanhã. O dirigente social-democrata abordou temas incontornáveis da atualidade como o Brexit, as relações transatlânticas com os Estados Unidos, a competitividade económica, a globalização, o populismo e, consequentemente, as eleições presidenciais francesas. “Espero que [Emmanuel] Macron seja o próximo presidente francês”, afirmou Passos Coelho, por, na sua opinião, tratar-se de um candidato “pró-europeísta, moderado, centrista e essencial”. Por outro lado, acrescenta o líder do PSD, Marine Le Pen é a “candidata da desintegração”.

Não obstante, Passos Coelho não esconde algumas reservas e diz “não esquecer que quase metade do eleitorado votou contra a ideia do projeto europeu”. Numa outra perspetiva, o dirigente social-democrata frisa a instabilidade da situação política francesa, com a divisão dos partidos, “enquanto a Frente Nacional está muito organizada”

A três dias das eleições em França, as sondagens dão vantagem ao candidato independente de 39 anos, com um valor de 59% nas intenções de voto, face aos 41% logrados por Le Pen, mas Passos Coelho questiona “que reformas poderá Macron fazer, se o parlamento for composto por eurocéticos e radicais?” O presidente social-democrata vinca igualmente que o problema do crescimento do populismo e do nacionalismo se estende igualmente a outros países, sem referir, contudo, exemplos.

Países que abandonam a UE não podem ser exemplo

Relativamente ao Brexit, Passos defende que a população do Reino Unido pretendeu “mostrar insatisfação com a situação atual”, centrada numa “crise” que, refere, pode ser económica, migratória, social e de segurança. Apesar de frisar a importância de “evitar um Brexit complicado”, o principal líder da oposição acrescenta que “não podemos ter como exemplo países a abandonarem a União Europeia e a terem melhores condições económica”, porque isso, acredita, “seria um grande incentivo de que a EU não é plural e progressiva”.

“É importante”, considera Pedro Passos Coelho, “ter uma resposta política para o problema com a Rússia, para o Brexit e para as relações com os Estados Unidos”, ao mesmo tempo que apela para a necessidade de “estados mais solidários e responsáveis dentro da UE e acredita que “ainda não é tarde para pensar numa união financeira”.

À pergunta inicial (“o que é a Europa?”), Pedro Passos Coelho recorda que “a UE tem 27 países com diferentes contextos históricos, distintos processos e níveis de desenvolvimento”, bem como “diferentes estruturas de sociedade”. Lembra igualmente a conturbada relação histórica com a Rússia, os problemas nos Balcãs ou as tensões do passado entre a França e Alemanha. “Temos diferentes europas dentro da Europa” e “todas essas tensões fazem parte” dela, afirma o presidente do PSD.

Também presente no seminário, Paulo Rangel, eurodeputado e vice-presidente do grupo política do Partido Popular Europeu, afirmou que “o Governo português está a dar pouca atenção” ao processo de desvinculação do Reino Unido em relação à UE e relembra a importância das trocas comerciais com as Terras de Sua Majestade.

Ao analisar o contexto económico nacional, Paulo Rangel mostra-se igualmente apreensivo, pelo facto de o atual executivo “ter travado todas as reformas” e acrescenta que os bons resultados obtidos são fruto dos “esforços efetuados pelo anterior governo até 2015”.