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Ferreira Leite: “O grande problema da CGD não é o número de agências”

TIAGO PETINGA/ Lusa

A antiga ministra das Finanças defende que a Caixa Geral de Depósitos (CGD), enquanto banco estatal, tem a obrigação de desempenhar uma componente de serviço público

Manuela Ferreira Leite criticou esta quinta-feira o encerramento do balcão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em Almeida. No seu habitual espaço de comentário na TVI24, a antiga ministra das Finanças sustentou que a Caixa, tendo como acionista único o Estado, tem a obrigação de desempenhar um papel de serviço público.

“O problema que se levanta é que sendo um banco público – e mesmo se não fosse – saber se algum serviço público está a ser executado”, declarou a ex-governante do PSD.

Dando como exemplo a EDP, Ferreira Leite sublinhou que não é pelo facto de haver poucos habitantes em determinada zona do país que a empresa não leva eletricidade até lá.

“O que me espanta é que algumas empresas privadas tendo prejuízo desempenhem serviço público e esse dever não se aplique também à Caixa.(...) Não ter um instrumento público na ponderação é bastante inesperado”, acrescentou.

Garantindo que “o grande problema da CGD não é o número de agências”, a antiga ministra lembrou que o banco estatal tem como clientes um conjunto significativo de idosos sem conhecimentos tecnológicos. “A Caixa abrange um conjunto de população muito alargada sem literacia tecnológica e que recebia os salários pelo banco. Toda essa parte da populaçao está fidelizada na CGD, resistiu a todas as mudanças e boatos e guerras no sector bancário”, observou.

Manuela Ferreira Leite disse acreditar que se fosse com outro banco a insatisfação com o encerramento de agências seria menor, frisando que a população idosa só conhece a Caixa. Na opinião da antiga líder do PSD, a administração da CGD não deve atuar como um banco privado, “esquecendo que existem problemas reais.”