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Augusto Santos Silva “preocupado” com presidenciais em França

António Cotrim/Lusa

Ministro dos Negócios Estrangeiros diz que não se pode esquecer que um dos candidatos ao Eliseu é Marine Le Pen, que “tem um programa cujo ponto número um é a destruição da União Europeia”

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, disse esta quinta-feira, em Paris, estar "preocupado com a eleição presidencial francesa" face a "forças que têm como objetivo perturbar ou mesmo destruir a integração europeia".

"Eu estou preocupado com a eleição presidencial francesa porque nós estamos sempre preocupados com circunstâncias nas quais possa haver um risco de um crescendo das forças que têm como objetivo perturbar ou mesmo destruir a integração europeia", afirmou à Lusa o chefe da diplomacia portuguesa na sede da UNESCO, na capital francesa.

Augusto Santos Silva sublinhou que não se pode "ignorar que dos dois candidatos que disputam a segunda volta, um deles, a senhora Marine Le Pen, tem um programa cujo ponto número um é a destruição da União Europeia, é a saída da França da União Europeia".

"Portugal tem um interesse próprio nesta eleição como têm todos aqueles que, como Portugal, defendem o projeto da União Europeia. E todos esses têm, sem hesitação, dito que, no caso particular desta eleição presidencial, esperam que ganhe o candidato que é a favor da União Europeia e que perca a candidata que é contra a União Europeia", defendeu.

O ministro acrescentou que esta posição, sem "nenhuma ambiguidade" do governo português é porque há um "tema de política europeia", sendo "do interesse português que a França continue na União Europeia" e destacando que "o governo português não é parte na eleição presidencial francesa".

"O que o governo português diz, o que o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal diz é que o interesse de Portugal é que o resultado da eleição presidencial francesa contribua para o reforço do projeto da integração europeia. E não é preciso dizer mais nada", concluiu.

Augusto Santos Silva visitou, ao final da tarde, a exposição "Portugal e a UNESCO – Conhecer, salvaguardar e partilhar", patente desde 1 de maio até esta sexta-feira na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, uma mostra organizada no quadro da candidatura de Portugal ao Conselho Executivo da UNESCO (2017-2021).

No seu discurso, o chefe da diplomacia afirmou, em francês, que "hoje há uma recrudescência ameaçadora do racismo, da xenofobia, de intolerâncias e de extremismos de todo o tipo que ameaçam não apenas os fundamentos democráticos das sociedades mas também a paz e a estabilidade internacional".

"A cultura de tolerância, de respeito pelo outro, de diálogo, de solidariedade que é a da UNESCO é mais indispensável que nunca para enfrentar eficazmente esta outra cultura da violência que nos tentam impor", declarou.

A exposição mostra algumas das atividades desenvolvidas por Portugal enquanto estado-membro da UNESCO, nomeadamente o trabalho da Comissão Nacional de Portugal para a UNESCO na implementação da Convenção do Património Mundial, na Rede das Reservas da Biosfera, no Programa dos Geoparques Mundiais, nas Cátedras portuguesas da UNESCO e nas boas práticas no contexto da Convenção para a Proteção do Património Cultural Subaquático.

A mostra remete, ainda, para a história de Portugal ao ilustrar os caminhos marítimos percorridos através de sete sítios do Património Mundial em África, na Ásia e na América Latina.

Esta sexta-feira, Augusto Santos Silva vai reunir-se, de manhã, com o homólogo francês, Jean-Marc Ayrault, e à tarde vai deslocar-se ao Liceu Montaigne, em Paris, para se encontrar com alunos da secção internacional portuguesa e celebrar o Dia da Língua Portuguesa e das Culturas na CPLP.