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Política

Governo propõe diminuir número de utentes por médico de família

Tiago Miranda

Ministério da Saúde tem amanhã reunião decisiva com sindicatos. Greve está marcada para dias 10 e 11

O Governo está neste momento a ultimar a proposta que amanhã às 11h vai apresentar aos sindicatos médicos para tentar evitar a greve prevista para os dias 10 e 11 de maio, véspera da visita do Papa Francisco a Portugal. Segundo adiantou ao Expresso fonte do Ministério da Saúde, o ministro Adalberto Campos Fernandes acredita que a sua equipa técnica - que inclui os secretários de Estados e elementos da Administração Central do Sistema de Saúde – ainda pode «tirar um coelho da cartola», fazendo contra-propostas em relação à diminuição das listas de utentes dos médicos de família, à redução de 200 para 150 do número de horas extra obrigatórias por ano e a passagem de 16 para 12 do número de horas semanais em urgência.

O Executivo, sabe o Expresso, quer mostrar abertura em relação a estas questões. Quanto à diminuição de doentes nas listas dos médicos de família (1900 por lista), o ministro admite reduzi-las, não de forma igual para todos, mas consoante o tipo de doentes. Ou seja, a cada doente – consoante seja criança, doente crónico, idoso ou população geral - é atribuído um valor e depois a dimensão da lista é fixada com base na soma destes pontos e não no número de utentes (unidades ponderadas). «O problema é o faseamento da medida», diz fonte do Ministério da Saúde, acrescentando que, na reunião de amanhã, a equipa ministerial vai tentar conciliar «o método de aplicação das medidas e o seu faseamento» com os dos sindicatos.

Mas entre a delegação sindical – composta pelo Sindicato Independente dos Médicos e a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) – o ambiente é pessimista. «A expetativa é nula depois da declaração do secretário de Estado da semana passada», diz Mário Jorge Neves, presidente da FNAM, explicando que na última quinta-feira, «quando tudo parecia bem encaminhado, o secretário de Estado Manuel Delgado disse-nos que afinal apenas podia assinar um compromisso sobre as ideias em si, mas não uma calendarização». Amanhã será a última hipótese, garantem os sindicatos, que apesar de terem apenas uma semana para preparar a greve dizem estar confiantes na adesão dos profissionais.

Ao mesmo tempo que o ministro da Saúde - que não estará presente amanhã na reunião por ter à mesma hora Conselho de Ministros – vive este clima de tensão com os sindicatos, está a tentar criar plataformas de entendimento com a classe. Para isso, segundo fonte próxima do ministro, este já teve uma reunião com a Ordem dos Médicos, há cerca de três semanas, para que seja criado um compromisso estratégico para a legislatura em várias questões da Saúde, nomeadamente em relação à carreira médica.