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BE acusa CDS de atacar regularização de precários com “conceções mesquinhas”

António Cotrim/ Lusa

Catarina Martins considerou um “absurdo” falar nestes termos e em eventuais marginalizações de trabalhadores precários, defendendo este processo e declarando que se pretende “dar justiça a quem trabalha”

A líder do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, acusou esta quarta-feira o CDS-PP de "tentar manchar" o processo de integração de precários como efetivos no Estado falando em "conceções mesquinhas" como cunhas.

"O que acontece é um processo com os vários parceiros. E tentar manchar um processo que junta parceiros para poder ser o mais representativo possível do país com conceções tão mesquinhas como cunhas, sinceramente diz é da forma como o CDS olha para o emprego, para o Estado", advogou Catarina Martins, em Lisboa.

A líder bloquista falava à margem da sessão de apresentação da campanha "Pirilampo Mágico 2017" e reagia a palavras da presidente do CDS, Assunção Cristas, que demonstrou preocupação com o que disse serem várias situações de "atropelamento diário de regras", apontando como exemplo o processo de regularização dos trabalhadores precários na Função Pública.

"Hoje somos surpreendidos com a notícia de mais um atropelo: o Governo vai dar a voz aos sindicatos para, não diria selecionar, mas pelo menos meter a cunha", afirmou a líder do CDS-PP.

"É a institucionalização da cunha pelos sindicatos", criticou Assunção Cristas, dizendo que, a confirmar-se, o grupo parlamentar do CDS-PP deverá chamar o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, a dar explicações na Assembleia da República.

Catarina Martins, que falava tendo ao seu lado o candidato do partido à autarquia de Lisboa, Ricardo Robles, considerou um "absurdo" falar nestes termos e em eventuais marginalizações de trabalhadores precários, defendendo este processo e declarando que se pretende "dar justiça a quem trabalha".

"É importante que todas as pessoas a trabalhar em situação precária, e portanto ilegal, para o Estado, utilizem este processo para fazer valer os seus direitos", sustentou a bloquista.

Os trabalhadores precários do Estado podem pedir a avaliação da sua situação entre 11 de maio de 30 de junho, de acordo com a portaria publicada esta em Diário da República.

Durante este período, os sindicatos podem também alertar os dirigentes máximos dos serviços para situações de precariedade de que tenham conhecimento e que pretendam ver avaliadas.

Na portaria, assinada pelos ministros do Trabalho e das Finanças, está previsto que as associações sindicais e as comissões de trabalhadores possam "comunicar aos dirigentes máximos dos órgãos, serviços ou entidades as situações de exercício de funções que correspondam a necessidades permanentes e sem o adequado vínculo laboral de que tenham conhecimento".

Esta tarde, o líder da CGTP sublinhou a vontade de que o processo seja transparente.

A UGT já havia rejeitado também esta quarta-feira "veemente" as "afirmações graves" da líder do CDS-PP.