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Assunção Cristas: “É a institucionalização da cunha pelos sindicatos”

No encerramento das jornadas parlamentares do CDS, a líder centrista disse que “seria bom” ouvir o ministro do Trabalho no Parlamento, para que explique a portaria sobre a integração dos precários no Estado

O CDS quer chamar o ministro do Trabalho e Segurança Social, Vieira da Silva, ao Parlamento para que explique a portaria sobre a integração dos precários no Estado que permite aos sindicatos sinalizarem situações de precariedade. "É a institucionalização da cunha pelos sindicatos", afirmou Assunção Cristas, esta terça-feira, no encerramento das jornadas parlamentares do CDS em Aveiro.

"Hoje fomos surpreendidos com a notícia de que o Governo vai dar voz aos sindicatos para ajudar, não quero dizer selecionar, mas pelo menos para meter uma cunha", disse a líder do CDS. "É bom chamar ao Parlamento um membro do Governo, o ministro Vieira da Silva, para nos esclarecer se é assim", afirmou.

Em causa está o reforço da intervenção dos sindicatos e das comissões de trabalhadores na primeira fase do Programa de Regularização Extraordinária de Vínculos Precários na Administração Pública (PREVPAP), noticiada esta terça-feira pelo "Público". Segundo o jornal, nesta primeira fase de regularização, os sindicatos poderão alertar os dirigentes máximos dos serviços para situações de precariedade de que tenham conhecimento e que queiram ver avaliadas – ou seja, recomendar nomes para que sejam integrados no Estado.

"Acho que há, no nosso país, uma liberdade sindical, a liberdade de as pessoas vincularem-se ou não a sindicatos. Pergunto-me se os sindicatos, quando fizerem esta sua avaliação, vão lembrar-se daqueles que não estão sindicalizados", questionou. "Meter uma cunha em concreto para sinalizar em concreto esta ou aquela situação? Não me parece que nem as motivações, nem os resultados, possam ser bons."

"Ter um défice bonito para apresentar"

Outro dos "atropelos" do Governo, segundo Cristas, são as cativações, tema que a líder do CDS já tinha referido na terça-feira, primeiro dia das jornadas parlamentares do partido. A líder centrista diz que António Costa "tem de se entender".

"Ou é bom executar o orçamento previsto para as várias áreas ou é bom ter um défice bonito para apresentar, custe o que custar, e sem orçamento retificativo como ele gosta de mostrar", argumentou. "No mundo ideal de António Costa, há cativações de 30%."

Também as autárquicas fizeram parte dos discursos de Assunção Cristas nestes dois dias. "Para um partido, não há nada como ano de eleições. O povo dirá o que pensa sobre nós." Definindo este como o momento "para nos empenharmos", defendeu que, se o CDS quer crescer localmente, "também tem de estar no mapa autárquico".

E à semelhança do que disse no discurso durante o jantar convívio com os autarcas do CDS em Vagos, na noite de terça-feira, voltou a traçar o caminho para a frente. "Às vezes, é preciso semearmos agora para colhermos os frutos daqui a quatro anos ou mais."

Assunção Cristas fez referência às "boas coligações do CDS com o PSD", dando como exemplo o caso da autarquia de Aveiro, presidida por Ribau Esteves, um dos oradores do painel sobre descentralização de hoje.

"Esperamos poder renovar as coligações. Mas também esperamos que as nossas duas câmaras [no distrito de Aveiro] não fiquem sozinhas", afirmou, acrescentando que o objetivo é passarem para três. Esperando "ambição máxima" para estas eleições, a líder centrista volta a pedir "realismo total".

Os elogios aos autarcas do CDS ouviram-se novamente, assim como agradecimento pelo seu esforço e pelo papel que desempenham a nível local. "Adoraria fazer em Lisboa o que o Vítor faz em Ponte de Lima", afirmou, numa referência ao autarca dos CDS Vítor Mendes.

As jornadas parlamentares do CDS decorreram esta terça e quarta-feira, no distrito de Aveiro, centradas em dois temas em particular: a valorização do trabalho para o crescimento económico e a descentralização e competitividade regional.