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Nuno Magalhães: “A muralha de aço é afinal uma muralha de poder”

MIGUEL A. LOPES/LUSA

As jornadas parlamentares do CDS arrancaram esta terça-feira em Aveiro com dois temas principais: valorização do trabalho e descentralização. “Não deixaremos a esquerda sozinha a valorizar o trabalho”, afirmou o líder parlamentar centrista, que acusou ainda a atual solução governativa de viver numa “democracia simulada”

O líder parlamentar do CDS acusa BE e PCP de andarem a “fingir que não veem e que não ouvem” e considera que a atual solução governativa é uma “muralha de poder”. “Uma democracia simulada, por algum tempo, até pode fazer o país optimista, até pode fazer um país que se julga mais feliz, mas jamais poderá fazer um país desenvolvido e competitivo como nós queremos”, afirmou Nuno Magalhães na intervenção de abertura das jornadas parlamentares do CDS, em Aveiro.

“Onde anda o Bloco de Esquerda e o PCP?”, questionou, ao lembrar as consequências das cativações que o Governo tem feito. “Andam a fingir que não veem e que não ouvem”, afirmou. O CDS, acrescentou Nuno Magalhães, “tem confrontado esses partidos com as suas incongruências”, acusando-os de “hipocrisia política”.

Criticando esse “fingimento”, o líder parlamentar assegurou que o CDS irá continuar a fazer oposição, “numa democracia com problemas, que vive o impasse das reformas, o fingimento das ideias, que vive no teatro das discordâncias”.

“A muralha de aço é afinal uma muralha de poder”, criticou, numa referência à expressão recentemente usada pelo socialista Ascenso Simões para definir a união da esquerda. Esse poder e a “satisfação de clientelas”, acrescentou Nuno Magalhães, “é única coisa que os une”.

Em discussão nas jornadas

A valorização do trabalho e a descentralização são os dois temas escolhidos pelo CDS para as jornadas parlamentares que estão a decorrer esta terça e quarta-feira em Aveiro.

O tema do trabalho, disse Nuno Magalhães, “não foi escolhido ao acaso”. “Para nós, não há esse errado monopólio da esquerda na valorização do fator trabalho”, acrescentou, defendendo que o CDS foi um partido que “sempre sublinhou” essa dimensão. “Não deixaremos a esquerda sozinha a valorizar o trabalho.”

O objetivo é do partido é “ouvir pessoas que têm conhecimento da matérias, que podem nem sempre pensar como nós, mas que nos podem ajudar a preparar legislação”. Como oradores no painel desta terça-feira estão o antigo secretário-geral da UGT, João Proença, o vice presidente da CIP, Rafael Campos Pereira e o reitor da Universidade de Aveiro, Manuel António Assunção.

Sobre a descentralização, que será o tema a abordar na quarta-feira, Nuno Magalhães diz que o CDS “não aceita que a descentralização seja feita fora da Assembleia da República, como este Governo parece querer fazer”. “Se o Governo tem problemas com a ‘geringonça’, problema dele”.

Para além do trabalho e da descentralização, outro tema sobre o qual o CDS irá debruçar-se nos próximos tempos será o combate ao terrorismo e o reforço de alguns mecanismos nesse campo. A discussão já agendada para 17 de maio, revelou o líder parlamentar centrista.