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Política

Cristas acusa Costa cativar verbas da formação profissional que fazem falta às indústrias

A líder do CDS-PP prometeu continuar a bater-se, nos debates quinzenais com António Costa, para acabar com essas "cativações cegas"

A líder do CDS-PP acusou hoje o primeiro-ministro de cativar verbas para a formação profissional e, antecipando uma proposta a entregar até final de maio, defendeu que os trabalhadores possam ter "uma pausa no seu percurso de vida".

No arranque das jornadas parlamentares do CDS-PP, Assunção Cristas visitou três empresas da área metalomecânica no concelho de Vale de Cambra - Marsilinox, Inocambra e Inaceinox - e ouviu queixas de falta de mão-de-obra qualificada no setor, que exporta a grande maioria do que produz.

"A formação profissional, infelizmente, é uma das áreas que está a ser fortemente abalada pelas cativações de que o sr. primeiro-ministro se orgulha mas esquece-se que depois tem impacto em muitas áreas. Hoje há menos formação profissional porque há cativações na área do Estado com impacto direto na forma como as indústrias se podem desenvolver", criticou.

A líder do CDS-PP prometeu continuar a bater-se, nos debates quinzenais com António Costa, para acabar com essas "cativações cegas".

"O senhor primeiro-ministro precisa de vir mais ao terreno para ouvir estas coisas nas indústrias e depois talvez tenha mais atenção quando faz o elogio das cativações cegas, dos cortes cegos para cumprir o défice que tanto criticava e agora é a sua grande bandeira e o seu cavalo de batalha", desafiou.

Na área do trabalho, um dos temas centrais das jornadas do CDS-PP que hoje arrancam no distrito de Aveiro, Assunção Cristas antecipou uma proposta que o partido está a estudar e prevê entregar no parlamento até ao final de maio, e que passa por encontrar "um tempo de paragem" num percurso profissional cada vez mais longo.

"Como é que hoje, que todos os anos vemos a idade da reforma ficar um pouco mais longínqua, como é que podemos organizar a nossa vida procurando encontrar um regime em que possamos, ao fim de décadas de trabalho ter uma pausa na nossa vida, de seis meses, um ano", questionou, dizendo que a proposta terá ainda de ser estudada.

Esse tempo, para líder do CDS-PP, poderia ser utilizado para as pessoas reconfigurarem a sua carreira, fazerem formação profissional, voltarem ou frequentarem a universidade.

"No fundo, ter um espaço de respiração na sua vida e no seu percurso laboral", resumiu.

A líder do CDS-PP justificou a escolha destas empresas do concelho de Vale de Cambra para arrancar as jornadas, lembrando que um dos temas do encontro dos deputados do CDS é a área do trabalho, no mês que arrancou com o Dia do Trabalhador.

"Estamos em Vale de Cambra, uma câmara governada pelo CDS-PP, e onde há polos industriais muito relevantes, nomeadamente na área da metalomecânica", disse, salientando que esta indústria é a "campeã das exportações", com mais de 14 mil milhões de euros exportados.

A Inaceinox, por exemplo, que produz e monta equipamentos em aço inoxidável para vários tipos de indústrias exporta mais de 80% da sua produção, sobretudo para a Europa Central.

Também para a Marsilinox, que se concentra sobretudo na produção de acessórios para a indústria alimentar, o mercado nacional representa apenas 20%, sendo o maior destino de exportação a França.

Alexandre Gomes, um dos gerentes, manifestou até a Assunção Cristas a sua preocupação com o que pode a vir a ser o resultado da segunda volta das presidenciais francesas, no próximo domingo.

"Se isto cai para o outro lado?", afirmou, numa referência à possibilidade de vitória de Marine Le Pen, que tem defendido uma política protecionista.

A este propósito, Cristas garantiu que tem estado a acompanhar esta reta final da campanha "com grande preocupação".

"Aquilo que se passa nos países vizinhos tem às vezes mais impacto no nosso país do que de possa imaginar", disse.