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CDS cético na Europa? Jamais

Diogo Feio no 26º Congresso CDS, no Pavihão Multiusos, em Gondomar, em março do ano passado

Rui Duarte Silva

Assunção Cristas sossega Marcelo Rebelko de Sousa: o CDS voltar a ser eurocético “está completamente fora de causa”

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

O Presidente da República pode ficar tranquilo: o CDS jamais voltará aos anos do euroceticismo que marcou o partido durante o consulado de Manuel Monteiro. A garantia é dada ao Expresso pelo presidente do gabinete de estudos dos centristas, Diogo Feio. O antigo eurodeputado recorda que o partido tem uma matriz europeísta, da qual só se afastou nos anos de Monteiro (“que já nem está no CDS”), altura em que chegou a sair do PPE (a família europeia a que voltou em 2009). E diz mesmo que um regresso a essa lógica eurocética “está completamente fora de causa”.

O Expresso noticiara, na semana passada, que Marcelo Rebelo de Sousa estaria preocupado com a possibilidade de o CDS, explorando mais uma vertente para se poder demarcar do PSD, se estar a preparar para assumir uma postura bastante crítica em relação à atual Europa. Assunção Cristas, europeísta convicta, não gostou de ver mencionada a hipótese de isso poder significar um regresso a outros tempos. E mandatou o partido para dar a resposta: uma conferência sobre a Europa, a ter lugar ainda antes do verão.

“O CDS é um partido naturalmente favorável à existência de uma União Europeia cada vez mais forte, que possa resolver os problemas que hoje existem nas mais variadas áreas”, sublinha Diogo Feio. E acrescenta: “Se em Portugal há eurocéticos, não é ao centro-direita que estão, mas sim na extrema-esquerda, que apoia o Governo.” Por fim, enfatiza: “O CDS não tem qualquer alteração em relação à sua visão da Europa. Pode, naturalmente, haver no CDS quem seja mais federalista ou mais intergovernamental, mas a linha europeísta não está de todo em causa.”

Não passar ao lado 
dos problemas

No gabinete de estudos dos centristas estão, de resto, a analisar-se as propostas da Comissão Europeia para o futuro da União. Diogo Feio admite como possível que se chegue a “uma solução de grande perfeição institucional em relação aos países que fazem parte da zona euro; e a uma outra mais flexível em relação aos restantes Estados-membros”. E “todo este raciocínio é feito numa lógica europeísta”, conclui.

O Expresso sabe que no CDS, ainda assim, as posições em relação à Europa não são totalmente coincidentes com as do PSD e que é essa diferença de perspetiva que poderá ser acentuada nos próximos tempos. No partido de Assunção Cristas há quem não aprecie o “euro-otimismo”, por vezes considerado excessivo, por parte de alguns sociais-democratas e considere mesmo que ao CDS cabe o papel de não deixar que o debate sobre a Europa se faça passando ao lado dos problemas que afetam a instituição.