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Costa sobre acusação de Passos: “Isso nem merece comentário”

Marcos Borga

Na Ovibeja, o primeiro-ministro recusou “alimentar debates sobre o passado” e assegurou que “não tem nenhum problema com o Conselho de Finanças Públicas”

“Isso nem merece comentário.” Foi assim que António Costa reagiu depois de ter sido confrontado com as acusações que Pedro Passos Coelho tinha feito minutos antes, também na Ovibeja. “Há uma intenção clara do Governo de poder ir deitar a mão às reservas, ao dinheiro que está no Banco de Portugal para, como medida extraordinária, ajudar a compor os números do défice”, disse o líder do PSD aos jornalistas.

O primeiro-ministro adiantou que o Governo vai analisar os contributos de PS e Bloco de Esquerda sobre a sustentabilidade da dívida portuguesa, mas frisou que a reestruturação é assunto que só poderá ser tratado no quadro europeu.

O relatório do grupo de trabalho formado por PS e Bloco de Esquerda (BE) sobre a sustentabilidade da dívida portuguesa "é um trabalho muito sério, rigoroso, com contributos muito interessantes de reflexão", disse António Costa aos jornalistas em Beja, durante uma visita à feira agropecuária Ovibeja.

Alguns contributos, como a antecipação dos pagamentos ao Fundo Monetário Internacional ou uma nova política em matéria de distribuição dos rendimentos do Bando de Portugal (BdP), "já estão, aliás, a ser executados" e "há outros" que o Governo vai "analisar, refletir sobre eles" e, "em função disso", irá ver "qual é o encaminhamento que devem ter".

No entanto, sublinhou, para o Governo é "ponto claro" que a restruturação da dívida portuguesa "é um assunto que só no quadro europeu poderá ser alguma vez tratado e refletido".

O relatório do grupo de trabalho apresenta uma proposta de reestruturação da dívida portuguesa em 31% para 91,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e pede ao Governo "cenários concretos" de reestruturação para serem utilizados em discussões europeias.