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Dijsselbloem: “A última coisa que quero é causar novas divisões”

François Lenoir /Reuters

Líder do Eurogrupo volta a garantir que nunca teve a intenção de ofender os países do sul. Jeroen Dijsselbloem foi chamado pelos eurodeputados para falar da situação do terceiro programa de assistência à Grécia

Jeroen Dijsselbloem voltou esta quinta-feira a lamentar que tenha sido mal interpretado na entrevista que deu ao diário alemão “Frankfurter Allgemeine”, ao afirmar que os países do sul gastaram o dinheiro em álcool e mulheres e depois pediram ajuda, numa alusão aos países resgatados.

“A maneira como me expressei causou ofensa e isso lamento muito. Nunca foi minha intenção ofender quem quer que fosse. Tenho trabalhado nos últimos quatro anos para unir cada vez mais a zona euro e a última coisa que quero é causar novas divisões”, declarou esta manhã o presidente do Eurogrupo, que foi chamado pelos eurodeputados para falar da situação do terceiro programa de assistência à Grécia.

Em resposta às críticas que recebeu a propósito da sua polémica afirmação, Dijsselbloem garantiu que partilha da mesma visão que a unidade da UE está dependente da solidariedade entre os Estados-membros. “Tal como disse o Parlamento Europeu numa resolução recente sobre a capacidade orçamental, só podemos reforçar com sucesso a união monetária se a responsabilidade estiver ligada à solidariedade. Acredito fortemente nisso e vou continuar a trabalhar para isso”, acrescentou.

O Governo português considerou a afirmação do líder do Eurogrupo “absolutamente inaceitável” e pediu publicamente o afastamento de Jeroen Dijsselbloem. Apesar de não apresentar um pedido de desculpas formal, o responsável já lamentou por diversas vezes o sucedido.

No início da última reunião do Eurogrupo, o secretário de estado adjunto e das Finanças, Mourinho Félix, falou com Dijsselbloem e pediu-lhe que se retratasse perante os ministros do Euro e dos jornalistas. Já durante a reunião – onde substituiu o ministro Mário Centeno – não exigiu a demissão do atual Presidente, que conta para já com o apoio dos colegas da Moeda Única para continuar no cargo.

(Em atualização)