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Costa quer “manter a memória viva” da luta contra a ditadura

Marcos Borga

Primeiro-ministro diz que a história tem-nos recordado que “quando nos esquecemos, tendemos a repetir aquilo que nunca mais pode ser repetido”

O primeiro-ministro, António Costa, defendeu esta quinta-feira ser fundamental "manter a memória viva" da luta contra a ditadura, durante o Conselho de Ministros na Fortaleza de Peniche, quando se assinalam 43 anos da libertação dos presos políticos.

O Conselho de Ministros decorre esta manhã naquela antiga prisão do Estado Novo e antes do início da reunião – que conta com a presença de todos os ministros do executivo socialista –António Costa e o restante Governo visitaram a Fortaleza de Peniche e conheceram as antigas celas, acompanhados por alguns presos políticos que ali estiveram enclausurados antes do 25 de Abril de 1974.

"Acho fundamental manter esta memória viva porque como infelizmente a história nos tem recordado quando nos esquecemos, tendemos a repetir aquilo que nunca mais pode ser repetido", disse António Costa em declarações dentro da cela onde esteve o histórico comunista Álvaro Cunhal.

O primeiro-ministro destacou que este "é um momento muito importante e muito significativo porque é sempre preciso lembrar", quando se festejam os 43 anos da Revolução dos Cravos que "houve os 48 anos anteriores e houve mulheres e homens – como o Domingos Abrantes [atual conselheiro do Estado] e tantos outros – a quem devemos estar hoje aqui em liberdade".

Questionado sobre a solução que o Conselho de Ministros vai apresentar esta quinta-feira para este edifício histórico, António Costa disse apenas: "isso já anunciamos".

Depois da visita à antiga prisão, Costa e os restantes membros do Governo tiraram uma fotografia com os presos políticos que hoje estão presentes em Peniche, entre os quais Domingos Abrantes – preso político que esteve mais anos em Peniche – que guiou o primeiro-ministro durante a visita e ao sentar-se na cama da cela de Álvaro Cunhal acabou por tocar no chão uma vez que esta não tinha estrado.

Estiveram também presentes o historiador e antigo dirigente bloquista Fernando Rosas, o jornalista António Perez Metelo e Jorge Galamba Marques, pai do deputado socialista João Galamba, que o acompanhou a Peniche.

A antiga fortaleza, que foi convertida em prisão a partir de 1934, tinha 25 presos políticos quando se deu o 25 de Abril de 1974.
O futuro da fortaleza tem estado envolto em polémica devido à hipótese de ser concessionada a privados para aí ser criado um hotel.

Já este mês o ministro da Cultura disse concordar a criação de um museu da resistência à ditadura na Fortaleza de Peniche.

"O Governo quer preservar o interesse memorial da Fortaleza e construir aí um museu da resistência à ditadura", afirmou Luís Castro Mendes, indo assim ao encontro da proposta apresentada hoje pelo Grupo Consultivo criado pela tutela para, até final de abril, apresentar soluções futuras para o monumento.