Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Ernst & Young fará auditoria à CGD durante 15 semanas

Nuno Botelho

O ministro das Finanças confirmou que a auditoria à Caixa Geral de Depósitos ainda não teve início, mas já foi adjudicada e decorrerá durante 15 semanas. Essa análise terá três áreas principais

A auditoria à Caixa Geral de Depósitos já foi adjudicada à Ernst & Young e decorrerá durante 15 semanas, afirmou esta quarta-feira o ministro das Finanças, Mário Centeno, durante a audição sobre os resultados e o plano de reestruturação da CGD, na comissão de Orçamento e Finanças, na Assembleia da República.

Centeno explicou que a auditora foi escolhida por não ter estado associada à Caixa no período em que a auditoria vai incidir, ou seja, entre 2000 e 2015. A análise irá ter três áreas fundamentais: a concessão de créditos, a aquisição e alienação de ativos e as decisões estratégicas de negócios. "Prevê-se que decorra num espaço de 15 semanas", acrescentou o ministro.

"Depois de concluída, a auditoria será dirigida às autoridades de supervisão que farão o que entenderem adequado. Para outras consequências dessa auditoria, estaremos cá", concluiu.

A pergunta sobre qual o ponto de situação desta auditoria tinha sido feita pela deputada do BE Mariana Mortágua, questionando o facto de o Banco de Portugal não a ter feito “seguir em frente”.

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, disse esta quarta-feira em declarações ao “Jornal de Negócios” que o banco não pode participar ou coordenar uma auditoria independente à Caixa Geral de Depósitos, por “extravasar” as suas competências. “Uma eventual iniciativa do BdP para requerer ou participar numa auditoria aos atos de gestão da CGD extravasaria assim claramente as suas atribuições e competências”, afirmou Carlos Costa ao “Jornal de Negócios”.

“Houve a reação que referiu do BdP, que só poderia intervir por questões prudenciais", confirmou Mário Centeno, em resposta à deputada do BE. "Não sei que outras questões podem estar aqui envolvidas, mas o Banco de Portugal poderá esclarecer.”

PSD pede caderno de encargos

O deputado Carlos Silva, do PSD, pediu que o ministro das Finanças faça chegar ao Parlamento o caderno de encargos da auditoria, lembrando que 11 meses depois de ter sido aprovada, "finalmente o ministro levantou o véu dizendo que vai avançar".

"O caderno de encargos obedece ao que foi pedido pelo Governo", respondeu o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Mourinho Félix, enunciando as três áreas fundamentais que constam da auditoria, já referidas por Mário Centeno.

Rejeitando que tenham passado 11 meses, o ministro das Finanças explicou por que razão houve demora na adjudicação da auditoria que "o Conselho de Ministros decidiu fazer no início do verão do ano passado" e que se tinha decidido que avançaria apenas depois da tomadas de posse do novo conselho de administração da CGD.

"Após a tomada de posse, entre o fim de agosto e início de setembro, essa auditoria foi solicitada ao conselho de administração com um pedido de intervenção do Banco de Portugal". "O processo prolongou-se porque foi necessário que todos os intervenientes na tomada de decisão pudessem ser contactados", concluiu.

[atualizada às 13h17]