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“O medo converteu-se no maior aliado” de um projeto europeu “que falhou”, diz BE

Marcos Borga

Deputada Joana Mortágua diz que “as troikas que espreitam atrás de cada Programa de Estabilidade” servem para “lembrar que ainda não vencemos, que ainda temos quem se ache nosso dono, que não somos livres”

A deputada Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda (BE), defendeu esta manhã, durante a sessão solene comemorativa do 43.º aniversário do 25 de abril, na Assembleia da República, que o projeto europeu "falhou" e que é necessário reconhecer essa realidade e enfrentá-la.

"Falhou porque submeteu a democracia aos mercados financeiros, falhou porque perdeu contacto com os direitos sociais e económicos dos povos, porque espalhou pobreza e desemprego, porque quis rasgar a Constituição. Falhou-nos porque entregou ou privatizou o que era da nossa soberania e, portanto, da nossa liberdade", argumentou Joana Mortágua, concluindo mais à frente que "o medo converteu-se no maior aliado de um projeto político conservador que domina a Europa".

Criticando o facto de o projecto europeu estar "demasiado distante das aspirações dos povos para mobilizar as suas vontades", a deputada bloquista lamentou ainda o "poder centrista" que diz estar a "ocupar cada espaço da nossa livre decisão com os seus burocratas, sanções e imposições".

"Perigo é a austeridade que renasce quando baixamos a guarda, as troikas que espreitam atrás de cada Programa de Estabilidade. Servem apenas para nos lembrar que ainda não vencemos, que ainda temos quem se ache nosso dono, que não somos livres", criticou. E se, como defendeu, "a espera é a derrota", então "o confronto com as imposições europeias, que é o mais difícil, ainda é o que está por fazer".

"O maior erro é continuar a sacrificar a democracia aos lucros dos mercados financeiros e a negar direitos e liberdades em nome de uma segurança que nunsa se cumpre, só oprime", prosseguiu, argumentando que "o medo e a esperança não só não se confundem, como se confrontam". "Abril, para não ser vazio, precisa de conteúdo, tem de ter esperança".