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Marcelo aplaude progresso da economia, mas pede “maior criação e melhor distribuição de riqueza”

Marcos Borga

Presidente da República alerta, no discurso do 25 de Abril, para o “empobrecimento ético” da sociedade, que está a abrir “caminho a radicalismos, racismos e xenofobia”, em prol de um “messianismo que da democracia apenas gosta de usar o que lhe convém”

O Presidente da República considerou esta terça-feira que, nos últimos anos, Portugal teve "vitórias" nas finanças públicas e na economia, mas defendeu que é um imperativo criar mais riqueza e distribuí-la melhor no tempo restante desta legislatura.

"Os dois anos e meio que faltam para o termo da legislatura parlamentar terão de ser de maior criação de riqueza e melhor distribuição", declarou Marcelo Rebelo de Sousa, no final do seu discurso na sessão solene comemorativa do 25 de Abril na Assembleia da República.

Segundo o chefe de Estado, "Governo, seus apoiantes e oposições, que legitimamente aspiram a voltar a governar, estarão, por certo, atentos a este imperativo, na multiplicidade enriquecedora das suas opções".

"Tal como têm sido essenciais, uns e outros, neste último ano e meio, ao garantirem a virtuosa compatibilização entre a indispensável estabilidade e o salutar confronto político e parlamentar", acrescentou.

Sublinhando que "é dos portugueses todos o mérito primeiro das vitórias que fomos tendo nos últimos anos nas nossas finanças e economia", Marcelo defendeu também que cabe igualmente aos cidadãos "o papel decisivo de criar um futuro melhor". E, nesse plano, louvou o facto de os portugueses serem "patriotas" e "fervorosamente orgulhosos da sua nação", mas de uma forma que promove o "coração aberto e a alma universal" e não os nacionalismos "contra o mundo, rejeitando e excluindo e vivendo em medo permanente".

"Para sermos justos, havemos de admitir que somos uma pátria em paz, com apreciável segurança, sem racismos e xenofobias de tomo, aceitando diferenças religiosas e culturais, como poucos, com rede de instituições sociais devotada, poder local incansável e sistema político flexível. E, nessa medida, mesmo se carecido de reformas, mais sustentável do que muitos outros nossos parceiros europeus", defendeu Marcelo.

Referindo-se aos tempos que "são amiúde de substituição da substância pela forma" e de substituição "do estudo e da qualificação pelo improviso e superficialidade" ou do "debate das ideias por proclamações básicas, dizendo o que se pensa ser aprazível dizer e não o que deve ser dito", Marcelo Rebelo de Sousa considerou que é este "empobrecimento ético" na sociedade que "abre caminho a radicalismos, racismos e xenofobia", em prol de um "messianismo que da democracia apenas gosta de usar o que lhe convém".

Por isso, recordando que o 25 de abril é um exemplo de "datas que não foram nem nunca serão indiferentes ao nosso destino coletivo", Marcelo insistiu na ideia de que "a democracia, apesar de imperfeita, injusta e incompleta", é preferível "às mais sedutoras miragens ditatoriais".

"Nem mesmo o tom áspero das discussões [no Parlamento] pode servir de pretexto para questionar a riqueza da diversidade democrática", disse, defendendo que o sistema político português "é dos mais estáveis na Europa" e que, em "tempo de populismos", é "essencial tornar claro" que sabemos que a democracia "tem de ser mais livre e mais justa", para que os portugueses "nunca desistam do que andam a construir há mais de 40 anos".