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Política

Bloco e Marcelo unidos pela democracia, separados pela Europa

Catarina Martins destacou três notas “importantes” no discurso de Marcelo Rebelo de Sousa: a a “liberdade, o Estado Social e o desenvolvimento da democracia”, a defesa da “luta pela transparência” e a lembrança de que “o nosso mundo é feito por cruzamento de mundos”

O Bloco de Esquerda assinalou esta terça-feira o "discurso consensual" do Presidente da República sobre a democracia, mas admitiu "divergências de fundo" quanto à Europa, que, "tal como está, é a causa do crescimento" de nacionalismos xenófobos.

Minutos depois do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa na sessão solene do 25 de Abril, no parlamento, a líder do BE, Catarina Martins, destacou os pontos de acordo com o Presidente.

A começar pela nota de que a "liberdade, o Estado Social, o enorme desenvolvimento da democracia foi feito por todos, aqueles e aquelas que, no pós-25 de Abril, meterem as mãos ao trabalho, construíram a Escola Pública, o Serviço Nacional de Saúde, pilares da democracia e do Estado Social".

Depois, a defesa da "luta pela transparência" e pela credibilização da democracia e a "nota europeia" no combate aos nacionalismos xenófobos.

"[O Presidente] deu uma nota europeia importante. Lembrando-nos que todos somos filhos e filhas de emigrantes, mães e pais de emigrantes, o nosso mundo é feito por cruzamento de mundos e é nesse que nos encontramos", disse.

As divergências centram-se também em questões europeias porque, para ter um crescimento económico no país é preciso "uma nova forma de olhar para a Europa", recusando constrangimentos de Bruxelas.

"Não podemos aceitar constrangimentos europeus, que, aliás, por toda a Europa, ao asfixiarem economia e o Estado Social, tem criado desemprego, exclusão social, tem tornado os países mais fracos e tem levado ao crescimento das politicas do ódio e xenofobia", disse.

Cumprir as "normas absurdas de consolidação orçamental" deixa Portugal com "poucos meios para o crescimento económico", acrescentou.

"Para ir mais longe é preciso ter a coragem de dizer que o fato dos constrangimentos europeus, cortado, escolhido e vestido por PS, PSD e CDS que votaram os mesmo tratado no Parlamento Europeu e na AR a não serve", concluiu.