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25 de Abril: Marcelo defende que o seu discurso não deve incidir na conjuntura política

Marcos Borga

“Os discursos devem ser correspondentes ao significado nacional das datas e não discursos para mensagens acerca da conjuntura política. É a minha maneira de ver”, defendeu o Presidente da República

O Presidente da República defendeu esta segunda-feira que os discursos presidenciais em datas como o 25 de Abril e o 10 de Junho não devem incidir na conjuntura política, mas no significado nacional das datas.

"Eu tenho um princípio básico, que é: em datas como o 25 de Abril, como o 10 de Junho, para dar dois exemplos, os discursos devem ser discursos correspondentes ao significado nacional das datas e não discursos para mensagens acerca da conjuntura política. É a minha maneira de ver", declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas.

O chefe de Estado, que falava no final de uma apresentação de um livro, em Lisboa, na véspera da sessão solene do 25 de Abril na Assembleia da República, referiu que "não foi assim ao longo do tempo, houve quem entendesse de outra maneira", mas que a sua linha é diferente.

"Foi assim que eu falei no 25 de Abril do ano passado, no 10 de Junho do ano passado. É assim que eu falarei no 25 de Abril, portanto, amanhã [terça-feira] e no 10 de Junho", afirmou.

Questionado se não deixou recados nos seus discursos anteriores, o Presidente da República respondeu: "Quando a pessoa fala, tudo o que diz tem um significado. Uma coisa é ter um significado, outra coisa é intervir na política concreta do dia a dia".

No seu discurso do 25 de Abril, no ano passado, Marcelo Rebelo de Sousa apelou a consensos de regime em áreas como o sistema financeiro e a segurança social, considerando que existem dois modelos alternativos de governação, mas que tem de haver unidade no essencial.

Levando um cravo vermelho na mão, recomendou permanente atenção às previsões económicas e salientou que o seu mandato é "mais longo e mais sufragado do que os mandatos partidários" e "não depende de eleições intercalares".

Nestas declarações aos jornalistas, depois de ter apresentado um livro sobre o papa Francisco, no Convento de São Domingos, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa falou também sobre as condecorações que vai atribuir neste 25 de Abril, às 14h, no Palácio de Belém, duas das quais a título póstumo, ao antigo primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e ao antigo bispo do Porto António Ferreira Gomes.

"São três nomes, por coincidência todos do Norte, mas é pura coincidência. Por razões diferentes, mas todos têm a ver com a liberdade e a democracia. No caso de Siza Vieira, é a liberdade da criação e a democracia abre para a liberdade da criação", disse.

No caso de António Ferreira Gomes, a razão para a sua condecoração neste momento "é o facto de passarem 65 anos sobre a sua chegada a bispo do Porto e 45 anos sobre o seu regresso a Portugal, depois de ter estado fora por virtude da proibição da ditadura, tendo lutado pela afirmação da liberdade antes, durante a revolução e depois da revolução", acrescentou.

No caso de Francisco Sá Carneiro, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou: "é mais uma homenagem a uma faceta que, a meu ver, não tinha sido suficientemente homenageada, que é o seu papel no reencontro com o mundo de língua portuguesa".

"Ele já tinha sido homenageado como estadista, como lutador pela liberdade, mas agora é como alguém que, com a carta a Samora Machel, abriu um novo capítulo, que depois culminou na CPLP [Comunidade dos Países da Língua Portuguesa], cujo aniversário nós estamos a comemorar", explicou.