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Passos insiste que “é preciso crescer mais”

Tiago Petinga

Líder do PSD aposta em reforçar a traço grosso a mensagem de que os resultados do Governo são insuficientes e que Costa podia e devia fazer mais

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

O presidente do PSD reconhece: “O défice diminuiu e isso é bom.” O que não significa que esteja a elogiar o Governo. Pelo contrário: foram feitas “escolhas imprudentes e mesmo erradas”. Como por exemplo repor os salários da função pública, opção que tornou mais difícil investir nos serviços públicos, nomeadamente na saúde, onde foram feitos “cortes drásticos”. Passos admite: sim, o país está a crescer. Mas pouco, se comparado com outros Estados europeus. E certamente “menos do que era possível e desejável”. Pede “reformas sérias do Estado e da economia”, em vez de “medidas extraordinárias ou pouco sustentáveis que criam ilusão de curto prazo nas contas públicas”. Sugere que se “produza mais investimento e crescimento, algo de novo que traga mais espaço de manobra” ao país.

A mensagem não é nova. Passos tem-la repetido desde há pelo menos um ano (quando foi reeleito presidente do PSD). Mas a direção reconhece que a mensagem não tem passado e que, por isso, é necessário reformatá-la. Não se trata de uma mudança de estratégia, mas de um afinar do discurso, que será ouvido tantas vezes quantas for possível daqui até ao período de “quarentena” imposto pelas autárquicas, nas intervenções públicas e em tempos de antena temáticos (o primeiro, de onde foram tiradas as citações do início deste texto, foi sobre saúde e passou esta quinta-feira).

Enquanto Passos afina o discurso com que se prepara para prosseguir o caminho até ao congresso de março do próximo ano, boa parte do PSD já parece estar com os olhos postos no pós-Passos. Esta quinta-feira, Marco António Costa, vice-presidente do PSD, deu nas vistas sentado ao lado de Miguel Relvas, antigo homem-forte do partido, ex-braço-direito de Passos, afastado da política partidária desde abril de 2013. Os dois na mesma mesa de Luís Montenegro, o orador-convidado do almoço do International Club. Na sala pontificavam outros nomes sonantes do PSD, como Mira Amaral, Luís Filipe Pereira, Guilherme Silva ou Nunes Liberato. Mas também seis dos onze vice-presidentes da bancada parlamentar, vários deputados e os presidentes de sete distritais. “Quem verdadeiramente manda no PSD”, na leitura de um dos presentes ao Expresso.

Montenegro não escondia o regozijo pela sala cheia: “Dizem-me que foi um recorde de participação nestes almoços.” E em 40 minutos resumiu a sua ideia para o país que, eventualmente, gostaria de vir a liderar um dia — cumprida a etapa primeira de chefiar o PSD, algo para que parece estar a preparar-se (e a ser incentivado por outros). Um país que, do seu ponto de vista, deve admitir privados em sectores essenciais dos serviços públicos; um país que não aguenta pagar mais impostos; um país que, por fim, deveria ter um sistema político mais claro. Qualquer semelhança com um programa de um futuro candidato a líder de um partido não é, certamente, mera coincidência.