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Montenegro quer sistema político mais claro: quem ganha é quem governa

MIGUEL A. LOPES / LUSA

O líder parlamentar do PSD foi o orador convidado do almoço do International Club. Perante uma plateia recheada de nomes sonantes da social-democracia, desafiou a esquerda a clarificar as regras das legislativas e admitiu a solução grega de um bónus de deputados ao partido vencedor

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

com Lusa

Jornalista da secção Política

O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, defendeu esta quinta-feira uma clarificação do sistema político como meio para aproximar mais os eleitos dos eleitores e apontou como exemplo um sistema eleitoral como o da Grécia, que dá um “bónus” de 50 deputados ao partido vencedor. "Há decadas" que se fala de reformar o sistema político no sentido de aproximar eleitores de eleitos, referiu, assumindo-se "um bocadinho radical". Embora respeitando a posição oficial do seu partido - que defende a diminuição do número de deputados e o voto preferencial - acha que "não é assim que se resolve".

Montenegro falava num almoço do International Club of Portugal, em Lisboa, e propôs que se discuta se queremos "um país que assenta numa espécie de tiro no escuro ou se queremos dar um sinal claro do caminho e da liderança políticas". O líder parlamentar do PSD referia-se ao facto de, até 2015, termos a ideia de que "quando votamos em legislativas em Portugal estamos a eleger deputados, mas também uma liderança de Governo e um programa político". Ideia que se interrompeu quando António Costa, líder do segundo partido mais votado a 4 de outubro de 2015, conseguiu formar Governo (com o apoio parlamentar dos restantes partidos da esquerda).

Por isso, Montenegro desafiou os partidos de esquerda a ponderarem um modelo idêntico ao da Grécia, em que o partido vencedor obtém um ‘bónus’ de 50 deputados, permitindo mais facilmente obter maiorias absolutas. “Assim como BE, PS e PCP enalteceram o pulsar do povo grego podíamos aplicar no nosso país essa mesma visão: a visão de que o sistema político é instrumental para concretizar a visão política do povo, tem de respeitar a decisão que o povo tomou”, defendeu, sublinhando falar a título pessoal. "Se o sistema político é instrumental para respeitar a vontade do povo, deve respeitá-la", concluiu.

Foram muitas as presenças de destacadas figuras políticas do PSD presentes no almoço: na mesa de honra ficaram sentados o antigo número dois de Passos Coelho, Miguel Relvas, o vice-presidente Marco António Costa, o presidente da distrital de Lisboa, Miguel Pinto Luz, além do empresário e ex-presidente do Sporting Sousa Cintra e o embaixador da China.