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Marisa Matias faz campanha com Mélenchon: “Nem sequer quero pensar que Le Pen possa vencer”

José Carlos Carvalho

Eurodeputada vai estar no encerramento da campanha do candidato à presidência francesa. Fugindo um pouco ao que é habitual, Mélenchon termina com um piquenique nacional em Paris

Quem fez campanha eleitoral em sete lugares ao mesmo tempo e usou hologramas várias vezes não poderia encerrar a corrida com o tradicional comício ou jantar na companhia dos apoiantes. Para terminar, Jean-Luc Mélenchon vai trazer aos jardins de Paris um piquenique. Marisa Matias, eurodeputada do Bloco de Esquerda e candidata às últimas presidenciais, é uma das presentes depois de ter publicamente declarado apoio ao movimento “A França Insubmissa”.

“A vitória de Mélenchon significaria repor a democracia num sítio de onde nunca deveria ter saído e significaria a capacidade de renovar a República para que seja e esteja ao serviço dos cidadãos”, diz Marisa Matias ao Expresso. “É um piquenique nacional, embora ele esteja em Paris. Acho que é uma forma muito peculiar de encerrar uma campanha. A forma como interage e como tem usado as redes sociais é diferente das campanhas tradicionais. Isso tem mobilizado muita gente, sobretudo os jovens”, considera.

Para a eurodeputada, Mélenchon é o “melhor e mais completo” candidato na corrida ao Eliseu. Os dois conheceram-se no Parlamento Europeu, onde partilham bancada e ideias: “a necessidade de recuperar dignidade para a vida das pessoas, o direito a ser feliz, as questões ligadas à economia e à distribuição económica…Não é segredo nenhum, apoiou a minha candidatura à Presidência e tem apoiado também o Bloco de Esquerda”.

A chave para o crescimento do candidato mais à esquerda está na inovação e irreverência, acredita Marisa Matias. A quatro dias da primeira volta das presidenciais em França, a sondagem da Ifop-Fiducial para a revista “Paris Match” e a Sud Radio aponta para a subida nas intenções de voto em Mélenchon, atribuindo-lhe o terceiro lugar, com 19,5%. Se for tomada em consideração a margem de erro, na verdade os quatro candidatos melhor colocados estão quase em situação de empate técnico (Marine Le Pen, Emmanuel Macron, Jean-Luc Mélenchon e François Fillon).

“Macron assenta no facto de não ter um programa, de procurar vaguear no centro mas sem uma ideia clara. Parece-me que o seu interesse é muito mais eleitoralista do que propriamente programático. Não me recordo de haver um candidato tão envolvido em esquemas de corrupção de forma pública como acontece com Fillon e isso esvaziou muito a sua campanha, não tendo sido capaz de apresentar um programa concreto. Em relação a Hamon, aquilo também não é um programa definido e tem uma herança pesada de François Hollande”, considera Marisa Matias. “A irreverência e a transparência de Mélenchon estão a fazer a diferença nesta campanha”, acrescenta.

Para a candidata às últimas eleições presidenciais, uma vitória de Marine Le Pen é algo em que nem quer pensar. Se acontecer, será uma “má notícia”. “Nem sequer quero pensar num cenário em que a extrema-direita possa vencer. Ninguém ganha com um governo de extrema-direita seja ele onde for nem com a ascensão e legitimação de um discurso racista e xenófobo”, diz Marisa Matias, lembrando que apesar de as sondagens de Le Pen apontarem para números acima dos 20%, a candidata não conseguiu alargar a distância para os restantes candidatos ao longo da campanha eleitoral.