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João Soares sobre a reedição de “Portugal Amordaçado”. “É a mais significativa homenagem que se podia fazer ao meu pai”

Marcos Borga

No lançamento da reedição da obra "Portugal Amordaçado", escrita por Mário Soares no exílio e que o Expresso oferece a partir deste sábado, foi relembrado o papel de Soares na luta pela liberdade em Portugal. Marcelo resumiu-o: “Foi o maior e melhor de todos”

Raquel Albuquerque

Raquel Albuquerque

(texto)

Jornalista

A uma semana do 25 de Abril, o lançamento da reedição de "Portugal Amordaçado", obra que Mário Soares escreveu no exílio e que foi publicada pela primeira vez em 1972, em Paris, encheu o auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, esta terça-feira. "É a mais importante e mais significativa homenagem que se podia fazer ao meu pai", disse o filho, João Soares.

A obra, central do pensamento político de Mário Soares, foi dividida em sete volumes e a reedição, feita em parceria com a Fundação Mário Soares, será oferecida pelo Expresso a partir deste sábado. "Os traços de caráter do nosso pai estão retratados aqui como em nenhum outro texto", resume o filho.

Marcos Borga

Além dos filhos, João Soares e Isabel Soares, também Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República, Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, e Francisco Pinto Balsemão, fundador do Expresso e presidente do grupo Impresa, foram oradores no lançamento desta reedição. O livro faz um retrato dos tempos da ditadura do Estado Novo e só foi editado em Portugal em 1974, alguns meses depois do 25 de Abril.

Recordando o papel de Soares na luta pela democracia em Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que "a causa da vida" de Soares foi a luta pela liberdade. "Nenhum outro o igualou na luta pela causa da liberdade e pela construção da democracia. Por isso, ele foi o maior e melhor de todos."

Marcelo disse que a sua presença no lançamento se fazia numa "tripla qualidade": como cidadão, como "estudioso e analista da realidade política" e como Presidente da República.

Marcos Borga

“É urgente mostrá-lo aos jovens”

Considerando que o legado de Soares "é demasiado grande para não ser lembrado", o presidente da Assembleia da República considerou que a reedição deste livro é uma "iniciativa de serviço público". Ferro Rodrigues lembrou três grandes pilares da vida política de Soares: a democracia, a Europa e a abertura ao mundo. "Se houve coisa que Soares nos ensinou foi a lutar sempre por aquilo em que acreditamos." Recordando o fundador do PS como um "coerente e forte contra a ditadura", Ferro lembrou ainda a "tolerância democrática" de Soares.

Para a filha, Isabel Soares, o livro do pai é um "importantíssimo testemunho". "É um retrato simples mas exato do que era a vida sem liberdade", resumiu. "É urgente mostrá-lo aos jovens para que estes tempos não mais se repitam."

"A história do livro confunde-se com a nossa adolescência", relembrou ainda Isabel Soares. Também João Soares lembrou que o livro começou a ser escrito em São Tomé, num contexto muito diferente dos dias de hoje, considerando-o "uma das marcas mais singulares do século XX português".

Marcos Borga

O fundador do Expresso, Francisco Pinto Balsemão, lembrou que a iniciativa de reeditar a obra visou "prestar homenagem a Mário Soares e a todos os lutadores pela liberdade".

Recordando detalhes da sua ligação ao histórico socialista, Balsemão contou que, em 1972, quando a obra foi publicada pela primeira vez em Paris, Mário Soares lhe enviou um exemplar e leu a dedicatória que lhe escreveu. "Ao Dr. Francisco Balsemão - não obstante algumas divergências importantes - com a consideração e a cordialidade de Mário Soares. Paris, 1972."

António Correia de Campos, presidente do CES, Manuel Alegre, Gomes Canotilho, Carlos Monjardino e Alfredo Barroso foram algumas das pessoas que marcaram presença no lançamento, além de Jorge Lacão, vice-presidente da Assembleia da República, Carlos César, líder do grupo parlamentar do PS, do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, e do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina.

Marcos Borga