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CDU do Porto critica Rui Moreira por ser como o Tio Patinhas

Câmara do Porto orgulha-se das contas históricas de 2016 que, esta quarta-feira, serão apreciadas pelo executivo e apontam para uma redução do endividamento bancário de € 62 milhões e o maior saldo de sempre da autarquia. CDU questiona para quê tanto aforro num mandato em que nenhuma obra de bandeira foi executada por Rui Moreira

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Embora seja apologista de contas equilibradas, Pedro Carvalho vai votar contra o Relatório de Gestão 2016 da Câmara do Porto, a apresentar amanhã em reunião do executivo municipal. A justificação do vereador sem pelouro da CDU para o 'chumbo' é que “a política pública não foi feita para gerar lucro ou aforrar”.

Em conferência de imprensa, esta terça-feira, a CDU do Porto não poupou nas críticas ao executivo autárquico, “recordista das baixas taxas de execução orçamental e da elevada execução do lado da receita, sobretudo fiscal”. Na origem da censura à estratégia de gestão de Rui Moreira está o saldo global de 66 milhões de euros relativo às contas de 2016, num ano em que a taxa de execução não foi além dos 78,1%.

“Tendo em conta que a receita global foi de €272,8 milhões e a despesa total de €206,8 milhões, isto significa que a atual coligação foi a campeã da baixa execução orçamental”, referiu Pedro Carvalho, apontando o dedo à crescente política de poupança num mandato em que o Rui Moreira “não cumpriu, nem irá cumprir até outubro, nenhuma das suas obras de bandeira eleitoral”.

No ano em que o excedente orçamental cresceu 16,8 milhões de euros em relação a 2015, “quatro vezes superior ao registado na era Rio, em 2012”, o vereador da CDU questiona se não haverá necessidade de investimento num mandato em que ficou por reabilitar o Mercado do Bolhão, o Matadouro, o Terminal Intermodal de Campanhã e o Pavilhão Rosa Mota, sem esquecer a situação “sem resolução à vista” do Bairro do Aleixo ou o polémico adiamento da revisão do Plano Diretor Municipal.

“A resposta é os projetos estão lançados. Como já afirmámos no passado, existe muita parra, mas pouca uva”, conclui Pedro Carvalho, inconformado com os cofres cheios da autarquia “que continua a apresentar inúmeras fragilidades económicas e sociais, com 18 mil desempregados, 62% dos quais de longa duração, e um aumento do número de habitação social (795 para 930)” .

Artur Ribeiro e Honório Novo, membros da assembleia Municipal do Porto, são ainda mais contundentes nas críticas à governação autárquica. Perante o lucro patrimonial de €7,2 milhões acumulado no último ano, o primeiro compara Rui Moreira ao Tio Patinhas, “pior do que Rui Rio que ao menos gastava o que recolhia”. Honório Novo adverte que o excedente orçamental, mais a margem de endividamento de €24,8 milhões a que podia recorrer a Câmara do Porto, seria para executar todas as obras da candidatura independente, se Rui Moreira não fosse o presidente recordista “da incompetência, da simpatia e da mistificação da cidade dos parcómetros”.

Moreira bate Rio na redução da dívida

À margem das críticas da CDU, o executivo municipal orgulha-se do documento que “espelha um ano histórico de redução de endividamento bancário e o maior saldo de gerência de sempre”. Em comunicado publicado no site da autarquia, quando Rui Moreira tomou posse em 2013 o ano fechou com um endividamento bancário superior a €90 milhões, situando-se em dezembro último abaixo dos €30 milhões (€28.251.354.00).

“Esta redução, superior a €62 milhões, apenas parcialmente reflete uma transferência de €28 milhões referente a parte do Acordo Porto, efetuada pelo Estado em final de 2016”, adianta ainda a autarquia, que ressalva que mesmo sem essa transferência a redução da dívida bancária no mandato de Rui Moreira teria sido superior à conseguida nos 12 anos da governação de Rui Rio.

De acordo com as contas avançadas pela Câmara do Porto, no final de 2001 a dívida bancária da autarquia era de €104 milhões, tendo crescido até aos €156 milhões em 2004, e descido até aos €90 milhões em 2013. O relatório de contas 2016, a votar em Assembleia Municipal, permitirá, segundo Rui Moreira, concluir os projetos iniciados no presente mandato, sem sobressaltos de execução para a Câmara do Porto, “irreversivelmente nos próximos quatro anos”.