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Política

“Apresentamos uma centena de propostas alternativas ao documento”

O Presidente da República terminou a ronda de reuniões com os partidos sobre o Programa Nacional de Reformas e o Programa de Estabilidade. O CDS-PP foi o último partido a ser ouvido por Marcelo Rebelo de Sousa. Assunção Cristas revela que o partido vai apresentar uma centena de propostas alternativas aos programas do Governo

A presidente do CDS-PP acusou esta terça-feira o Governo de aplicar uma política de austeridade que põe em causa os serviços públicos de saúde, educação e transportes, e defendeu que "o défice não é tudo, não vale tudo".

Assunção Cristas falava em declarações aos jornalistas, no Palácio de Belém, em Lisboa, após um encontro do CDS-PP com Presidente da República sobre o Programa de Estabilidade e o Programa Nacional de Reformas do Governo.

"O défice não é tudo, não vale tudo, é preciso olhar para a qualidade desse défice", declarou a ex-ministra da Agricultura e do Mar.

A presidente do CDS-PP considerou que o Governo apresenta uma perspetiva de crescimento insuficiente - "basta lembrar que a nossa vizinha Espanha cresce a 3,5%, e que aquilo que está previsto no Programa de Estabilidade é um crescimento de 1,8%", referiu - e que "a dívida pública é outro indicador negativo".

"Obviamente que cumprir metas do défice é positivo. A questão é saber como é que elas são cumpridas e qual a qualidade da composição desse mesmo défice. E aquilo que temos visto até agora é que o défice tem sido alcançado à conta de austeridade", sustentou.

Segundo Assunção Cristas, a "austeridade" aplicada pelo Governo desdobra-se em "impostos indiretos, manutenção de uma elevada carga fiscal", e num "corte brutal no investimento público, que muitas vezes penaliza áreas muito relevantes da governação, nomeadamente na qualidade dos serviços públicos, da saúde às escolas, aos transportes públicos".

"São cativações cegas, brutais, cortes que não atendem à qualidade e à urgência da despesa", acusou, alegando que, depois, o Governo "vai apagando os fogos, vai às situações de emergência".

O CDS-PP defende um "compromisso com metas", mas "alcançado com um crescimento sustentável da economia portuguesa", que preserve "a qualidade da prestação dos serviços públicos", acrescentou a ex-ministra.

"O que vemos é uma degradação do serviço público de saúde, uma degradação das escolas, uma degradação dos transportes, uma degradação na área da segurança, onde falta dinheiro para tudo", reforçou.

Assunção Cristas salientou que o CDS-PP apresentou no parlamento um projeto de resolução para que o Governo leve a votos o Programa de Estabilidade e o Programa Nacional de Reformas, e outro que contém "na ordem da centena de propostas alternativas" àqueles dois documentos.

"A nossa proposta vai no sentido de garantir que o país se torna mais competitivo, mais capaz de atrair investimento direto estrangeiro, mais capaz de aproveitar e de potenciar a vocação exportadora das nossas empresas, e que no fundo sai deste marasmo que é um crescimento económico pequeno, pouco, para aquilo que são as necessidades e as ambições de Portugal", disse.

De acordo com Assunção Cristas, a votação desses projetos de resolução vai deixar "claro, transparente, cristalino" que este é "um Governo das esquerdas unidas", ao qual o CDS-PP é oposição.