Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Marques Mendes: “A ‘geringonça’ faz teatro, uma crise política nunca vai acontecer”

Ex-líder do PSD considera que muitas das divergências entre os partidos que suportam o governo são encenadas, com claros objetivos partidários. No habitual espaço de comentário no Jornal da Noite da SIC, Marques Mendes considerou que o Programa de Estabilidade foi desenhado com o objetivo eleitoralista de vencer as legislativas em 2019

Pode haver uma crise política ainda antes das próximas eleições? “Isso não vai acontecer”, afirma claramente Marques Mendes. “Eles entenderam-se em dois orçamentos e na minha convicção vão entender-se no orçamento para o próximo ano. Até nas divergências se entendem.”

O ex-lider do PSD afirma que, na sua grande maioria, as divergências entre os partidos que suportam o atual governo são “teatro, encenações com uma justificação”. “Cada um dos partidos quer reforçar a sua identidade. Em ano de eleições, ainda por cima, tenta-se reforçar diferenças e não semelhanças.” E, no que toca ao entendimento entre as diferentes forças partidárias, dá o exemplo do que se está a passar a propósito das próximas eleições autárquicas. “O PS tem feito um esforço para não vir a pôr em causa resultados do PCP em determinadas autarquias. Eles são muito profissionais, todos estão a beneficiar com a proximidade do poder.”

Marques Mendes afirma ainda que o Programa de Estabilidade apresentado pelo governo “é uma espécie de programa eleitoral do PS para 2019”. Isto porque, diz o ex-líder do PSD, apesar de seguir a cartilha de Bruxelas, foi construído com objectivos eleitoralistas. “Pode ser um programa difícil de vencer, praticamente imbatível. Aponta para que em 2019 a economia esteja a crescer, o desemprego a baixar e défice zero. Quem tem estes resultados é muito difícil que possa perder eleições.” E dá um exemplo do que considera ser a planificação eleitoralista deste Programa: “Olhemos para o calendário de decisões em matéria de impostos: em 2018 há o fim da sobretaxa e mais algum ajuste para os mais desfavorecidos, mas a grande reforma de escalões será em 2019, ano de eleições”.

Além disso, há previsões que são propositadamente conservadoras, no entender do ex-líder social democrata: “A previsão do Governo quanto ao crescimento aponta para 1,8%, enquanto a Universidade Católica já veio falar em 2,4%. Isto é uma táctica: o Governo está a baixar as expectativas para depois vir dizer que superou as previsões”.


“É precipitado rejeitar já coligações pré-eleitorais”

Com tudo isto, é a oposição que fica “em maus lençóis”. Com a economia a crescer, o défice a baixar e o desemprego a reduzir-se, PSD e CDS-PP perdem aqueles que têm sido até agora os seus principais argumentos no campo de batalha. “Aos olhos dos portugueses, a ideia que passa é que Passos fazia cortes e Costa devolve e repõe rendimentos.”

Mas o ex-líder do PSD considera, ainda assim, precipitado que o CDS venha sinalizar, a dois anos de eleições, que não estará disponível para uma coligação pré-eleitoral. E entende mesmo que essa posição só pode ter um tipo de leitura: “Toda a gente sabe que PSD e CDS teriam mais facilidades em ganhar em listas conjuntas do que em separadas. Se Assunção Cristas visse possibilidade em vencer não ia em listas separadas. É um sinal claro de que a direita está a assumir que está em dificuldades”.