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Novo Banco: PS ataca Bruxelas por ter “condicionado” venda

MIGUEL A. LOPES / LUSA

João Galamba defende Governo pelo facto de não ter nacionalizado Novo Banco: “Os Estados-membros não decidem livremente. Houve condicionantes muito significativas no Banif e no Novo Banco”

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

O PS reagiu à declaração da comissária europeia para a Concorrência, Margrethe Vestager, de que Portugal nunca propôs a nacionalização do Novo Banco com críticas duras.

O deputado do PS, João Galamba, que por diversas vezes defendeu a nacionalização daquele banco que acabou por ser vendido ao fundo norte-americano Lone Star, acusa Bruxelas de ter, na prática, travado qualquer possibilidade de nacionalizar o Novo Banco. "A Comissão Europeia tem sempre esta tendência, depois da sua intervenção, dizer que os Estados-membros decidem sem qualquer condicionamento da parte da Comissão Europeia. Mas já toda a gente percebeu que não é verdade. Os Estados-membros não decidem livremente. Houve condicionantes muito significativas no Banif e no Novo Banco", atira João Galamba, em declarações ao Expresso, acrescentando que "não é preciso um pedido formal para a nacionalização do NB quando a Comissão Europeia define custos da nacionalização em que o Estado tem que assumir todos os prejuízos à cabeça e de uma só vez". Para o socialista, desta maneira, a nacionalização teria custos muito superiores para os contribuintes do que a venda à Lone Star.

Num artigo de opinião no Público esta terça-feira a comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager, afirmou que o Governo não apresentou a Bruxelas planos de nacionalização daquela entidade financeira, o que o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, já considerou um facto "grave".

"A confirmarem-se aquelas informações, é grave porque a integração no setor público bancário era a solução que melhor defendia os interesses do país, do povo português e da economia nacional. Se o Governo não apresentou sequer essa possibilidade, é grave. Se não a equacionou é igualmente grave", disse.

O próprio primeiro-ministro António Costa admitiu, nomeadamente, em entrevista à SIC em maio do ano passado: "Devemos ter responsavelmente uma atitude aberta a todas as soluções e com um único critério: A menos custosa para o contribuinte. Se houver uma boa oferta, compatível com a melhor defesa dos contribuintes, então deve ser vendido. Caso contrário, o banco não deve ser vendido".

Também o presidente do PS e líder parlamentar, Carlos César, defendeu a nacionalização temporária do Novo Banco até haver uma boa proposta de compra, caso as propostas que havia em cima da mesa no final do ano não viesse a tornar-se suficientemente atrativas.