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Centeno não explica por que razão não pediu demissão de Dijsselbloem

Luis Barra

Durante a audição do ministro das Finanças no Parlamento, PSD e CDS questionaram Mário Centeno sobre a sua ausência na reunião do Eurogrupo e sobre as razões de não ter sido pedido oficialmente a demissão de Dijsselbloem, mas o ministro não respondeu

A pergunta foi feita mais do que uma vez, mas o ministro das Finanças ignorou o assunto e não respondeu. "Lamentamos o que não se passou na última reunião do Eurogrupo", disse o deputado social-democrata António Leitão Amaro, logo no arranque da audição de Mário Centeno na comissão parlamentar de Finanças, na Assembleia da República, esta quarta-feira.

"O país entende que as declarações do presidente do Eurgrupo foram inaceitáveis na forma e conteúdo. Este Parlamento votou um pedido de demissão. Gostávamos de o ter visto a si, nessa reunião, a primeira depois do episódio", acrescentou o deputado.

Em causa está a última reunião do Eurogrupo, em Malta, na passada sexta-feira, na qual o ministro das Finanças não esteve presente e onde não foi feito qualquer pedido de demissão do presidente do Eurogrupo, Jeron Dijsselbloem, na sequência das declarações que fez em relação aos cidadãos do sul da Europa.

"Lamentamos que o representante que enviou, depois de fazer um número, não tenha tido a coragem para, na reunião, frente a frente, fazer aquilo que o Parlamento aprovara", afirmou Leitão Amaro, numa referência à conversa apanhada pelas câmaras de televisão entre o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Mourinho Félix, e Dijsselbloem, no qual falou sobre as declarações do presidente do Eurogrupo.

Na audição desta quarta-feira na Assembleia da República, também a deputada do CDS Cecília Meireles questionou o ministro das Finanças sobre a sua atuação. "Aparentemente não se passou mais nada na reunião. Por que razão não aconteceu mais nada?", questionou. "Bater o pé parece que desapareceu do léxico do PS", criticou a deputada.

Mário Centeno optou por não responder a essas perguntas ao longo de toda a manhã, numa audição em que o assunto foi a venda do Novo Banco e os contornos do negócio com a Lone Star.