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Paulo Rangel acusa Governo de “encenação” no caso Dijsselbloem

reuters

Num artigo de opinião no “Público”, o eurodeputado social-democrata acusa o secretário de Estado Mourinho Félix de ter alertado previamente a comunicação social para a abordagem que iria fazer a Dijsselbloem na reunião do Eurogrupo na passada sexta-feira em Malta

Paulo Rangel, eurodeputado do PSD, acusa o Governo de fazer uma "enorme encenação" no caso das declarações do presidente do Eurogrupo, em particular no momento em que o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Mourinho Félix, foi apanhado pelas câmaras de televisão a falar com Jeroen Dijsselbloem no início da última reunião do Eurogrupo.

Num artigo de opinião no jornal "Público" desta terça-feira, Paulo Rangel explica que a admissão de câmaras de televisão na sala de reuniões do Eurogrupo é apenas destinada a captar imagens. Em causa está o momento em que secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Mourinho Félix, se dirigiu ao presidente do Eurogrupo, antes da reunião da passada sexta-feira, em Malta, para lhe transmitir a posição do Governo português sobre as declarações feitas por Dijsselbloem sobre os países do Sul da Europa.

"Parece evidente ter havido um alerta prévio do secretário de Estado à comunicação social portuguesa de que iria fazer um 'número' deste género. Sou insuspeito de apoiar Dijsselbloem, mas antolha-se inqualificável montar-lhe uma 'armadilha' deste calibre, organizada por um colega do Conselho", acusa Paulo Rangel, no jornal "Público".

Segundo as imagens captadas pelas televisões portuguesas na sexta-feira, Mourinho Félix, exigiu um pedido de desculpas de Dijsselbloem. "Quero dizer-lhe que foi profundamente chocante aquilo que disse dos países que estiveram sob resgate. E gostaríamos que pedisse desculpas perante os ministros e a imprensa", disse o secretário de Estado.

Paulo Rangel recorda ainda outro momento, em 2012, em que as câmaras de televisão captaram imagens da conversa do anterior ministro das Finanças Vítor Gaspar com o seu homólogo alemão Wolfgang Schäuble, na qual davam a entender que um eventual ajustamento do programa de ajuda a Portugal poderia impor-se mais cedo que se previa.

Críticas a Centeno

O eurodeputado social-democrata deixa críticas ao facto de o Governo não ter depois exigido a saída do presidente do Eurogrupo. "[Mourinho Félix] Foi incapaz de falar na demissão no momento da grande encenação. Mas pior, foi incapaz de a exigir durante a reunião, que era a sede própria e adequada para o efeito."

No mesmo artigo de opinião, Paulo Rangel critica também a ausência de Mário Centeno na última reunião do Eurogrupo, que acusa de se ter instalado "comodamente num silêncio ambíguo e cúmplice".

"Como é possível que, depois da posição forte que o Governo português quis assumir, o ministro das Finanças esteja ausente da reunião do Eurogrupo? Trata-se de uma clara posição de passividade, a roçar a cobardia, de resto, totalmente congruente com o silêncio sepulcral a que Centeno se remeteu nesta matéria", escreveu esta terça-feira.