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Política

Marcelo homenageia democracia cabo-verdiana, “um exemplo” no contexto africano

O Presidente da República tira uma fotografia com mulheres, durante a visita de Estado a Cabo Verde, na cidade da Praia

ANTÓNIO COTRIM / LUSA

O Presidente da República defendeu que “o exemplo singular de Cabo Verde” deve ser sublinhado, “numa época em que estes valores da democracia e da liberdade estão em risco em tantas partes do mundo”

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, prestou homenagem à democracia cabo-verdiana, multipartidária, com livre debate de ideias e separação de poderes, apontando-a como "um exemplo" no contexto regional africano e para além dele.

Marcelo Rebelo de Sousa falava no Auditório Nacional, na cidade da Praia, na segunda-feira, numa sessão solene da Assembleia Nacional de Cabo Verde, onde se encontra em visita de Estado até esta terça-feira.

"Hoje, nesta casa da democracia, não posso deixar de prestar, também eu, a minha homenagem à democracia cabo-verdiana, pela saga da luta pela independência e pela sua consolidação, pela transição pacífica para o multipartidarismo, pelo respeito pela vontade popular em cada pleito, pelas sucessões pacíficas de governo, pelo papel essencial das oposições, pelo livre debate de ideias", declarou.

O chefe de Estado português elogiou ainda a democracia cabo-verdiana "pela convivência pacífica entre os diferentes órgãos de soberania, pelo respeito da separação de poderes, pela garantia dos direitos pessoais e políticos dos cidadãos, pela salvaguarda dos direitos económicos, sociais e culturais, que dão uma salutar dimensão mais progressista e mais humanista à democracia".

As palavras de Marcelo Rebelo de Sousa suscitaram uma salva de palmas da assistência, composta por deputados, membros do Governo de Cabo Verde e representantes do corpo diplomático.

"Em suma, queria aqui hoje homenagear a cultura democracia que faz hoje parte da cultura e da política cabo-verdiana e que faz de Cabo Verde um exemplo, não apenas no seu contexto regional africano, mas muito para além dele", acrescentou o Presidente português.

No seu entender, "o exemplo singular de Cabo Verde" deve ser sublinhado, "numa época em que estes valores da democracia e da liberdade estão em risco em tantas partes do mundo", e dado a conhecer.

História comum entre Portugal e Cabo Verde

Nesta intervenção, de vinte minutos, Marcelo Rebelo de Sousa disse que Portugal e Cabo Verde estão ligados por séculos de história comum, "um passado sem complexos de superioridade ou de inferioridade, para um lado ou para o outro", e têm hoje "uma relação entre duas democracias modernas", ambas "abertas a diferentes culturas e civilizações".

"A partilha destes valores entre os nossos países faz com que a voz de Portugal no mundo seja também uma voz de Cabo Verde. Tal como sabemos que a voz de Cabo Verde é sempre a voz de Portugal, nunca deixando de salientar as virtualidades da democracia", considerou.

O chefe de Estado português defendeu que Portugal e Cabo Verde têm "todas as condições para continuar a trabalhar em posições conjuntas" no plano internacional e devem "ir mais longe" nas suas relações bilaterais, sendo "ativos e criativos" na procura de "novos caminhos, novas soluções". "Portugal continuará a ser um defensor ativo de Cabo Verde no seio das instituições europeias", reiterou.

Antes, Marcelo Rebelo de Sousa ouviu o presidente da Assembleia Nacional de Cabo Verde, Jorge Santos, retribuir a sua afirmação, feita no domingo, de que "Cabo Verde será sempre uma aposta prioritária para Portugal".

"Portugal é hoje um dos principais parceiros estratégicos de Cabo Verde, a nível político-diplomático, a nível económico, comercial e a nível cultural e desportivo. Reafirmo e sublinho, senhor Presidente, que Portugal é uma aposta prioritária e estratégica de Cabo Verde", declarou Jorge Santos.

Logo no início do seu discurso, o presidente da Assembleia Nacional de Cabo Verde fez um elogio a Marcelo Rebelo de Sousa, descrevendo-o como "uma ilustre e marcante figura da vida política portuguesa" que se projeta "pelo brilhantismo e estilo genuíno de estar na política" e vai "gerando paradigmas e fazendo escola".