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Governo e Djisselbloem. “Foi tudo falta de coragem, show off, teatro, encenação”

Luís Marques Mendes diz que o Governo esteve mal em toda a linha na condução do caso 'Djisselbloem'. "Cá dentro exigiu a demissão, mas na reunião do Eurogrupo nem uma palavra sobre o assunto

O Governo não podia ter estado pior no processo de contestação ao caso que envolveu o presidente do Eurogrupo, Jeroen Djisselbloem, por ter acusado os países do sul da Europa de gastarem o dinheiro em "copos e mulheres". Foi assim que Luís Marques Mendes qualificou a atitude do Governo, no seu comentário deste domingo, na SIC.

"A mim choca-me esta forma de fazer política do Governo português. É absolutamente lamentável, é política no seu pior. Hipocrisia, falta de coragem, show off, teatro, encenação, disse.

O ex-líder do PSD não compreende como é que foi possível que, depois de tanta contestação e tanto pedido de demissão de Djisselbloem - cá dentro - na primeira oportunidade de expor essa situação no local certo, que foi a reunião desta semana do Eurogrupo, em Bruxelas, o Governo o que é que fez? "Zero".

"Em Portugal, vários membros do Governo disseram que era inaceitável o que o presidente do Eurogrupo disse. Exigiam ou propunham a sua demissão. Até se alimentou a ideia de que Centeno estava sondado para o lugar. Cá dentro grande coragem. Chegam à reunião do Eurogrupo com todos os ministros, na frente do senhor, e o secretário de Estado Moutinho Félix pediu a demissão? Zero. Disse apenas que apeleva a que ele pedisse desculpas e ainda por cima levou uma reposta dura e calou-se", contou.

Ou seja, "são mto corajosos cá dentro à distância e lá são subservientes. É uma vergonha e mostra que o Governo teve, internamente, "uma entrada de leão e uma saída de sendeiro" no palco de Bruxelas.

Além disso, Marques Mendes considera que devia ter sido o ministro das Finanças, Mário Centeno, e não o seu secretário de Estado, Mourinho Félix, que devia ter ido à primeira reunião do Eurogrupo após o caso das polémicas declarações de Jeroen Djisselbloem.

"O ministro das Finanças devia estar presente. Se Portugal acha inaceitável o que o presidente do Eurogrupo fez, o primeiro a ir à reunião era o ministrro das Finanças. Não é a mesma coisa ter um secretário de Estado ou um ministro", comentou.

Com isto tudo, Marques Mendes considera ainda que "infelizmente o presidente do Eurogrupo saiu reforçado". "Até fez uma conferência de imprensa a dizer com toda a pompa e circunstância: ninguém pediu a minha demissão", concluiu.