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Críticos empurram Rui Rio contra Passos Coelho

Luis Barra

No PSD há poucas dúvidas que o próximo congresso será o palco para o confronto há muito anunciado (mas nunca até aqui concretizado) entre estes dois protagonistas

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

As previsões são sempre um exercício arriscado. Mas a menos de um ano de distância do congresso que a direção do PSD garante que não antecipará em mais do que algumas semanas, e num quadro que admite um resultado conservador para Passos Coelho nas autárquicas de outubro, é seguro prever que o líder social-democrata voltará a candidatar-se ao cargo nas eleições internas no início de 2018. E, desta vez, ao contrário das anteriores, vai ter de enfrentar um sério adversário: Rui Rio.

No PSD há poucas dúvidas que o próximo congresso será o palco para o confronto há muito anunciado (mas nunca até aqui concretizado) entre estes dois protagonistas. E que o resultado do combate está longe de garantido: Passos continuará a beneficiar da vantagem de quem se encontra no poder e, apesar do desgaste dos últimos dois anos, pode ainda conseguir conquistar um quinto mandato; já o antigo presidente da Câmara do Porto, que há muito se distanciou da orientação dada ao PSD pela atual liderança, pode tirar partido de três fatores: da erosão de Passos, ainda mais acentuada após a eventual derrota nas autárquicas, do facto de possuir um discurso político mais eficaz e do apoio interessado (ou será mais rigoroso dizer interesseiro?) de boa parte do partido que já está com os olhos postos no pós-legislativas 2019. E que quer substituir Passos mas encara o líder que sair de 2018 como meramente instrumental (para perder para António Costa), um líder de transição.

Tudo dependerá, sobretudo, do que as sondagens disserem na altura sobre qual o melhor nome para conduzir o partido nos menos de dois anos que faltarão na altura até às legislativas: o PSD é um partido de poder, logo, muito pragmático; ninguém quer encarar seriamente a hipótese de o partido passar oito anos na oposição. Certo é que quer para Passos quer para Rio, 2018 será a última oportunidade. Porque traz esse prazo de validade bem definido que são as legislativas de 2019. Com as probabilidades, nesta altura, a serem favoráveis à manutenção do PS no Governo (as sondagens colocam-no cada vez mais perto dos 40% de intenções de voto — ver página ao lado), no PSD acredita-se que a continuidade de António Costa vai forçar mudanças na liderança social-democrata. Será então a hora de um terceiro homem, muito provavelmente Luís Montenegro.

O atual líder parlamentar do PSD (ver caixa) tem sido um leal apoiante de Passos e jamais avançaria contra o atual líder. A sua ambição (que lhe tem vindo a ser alimentada por Miguel Relvas e Marques Mendes, entre outros destacados sociais-democratas que, mesmo afastados do quotidiano partidário, continuam a ter grande capacidade de influência) não lhe tolda o discernimento: Montenegro sabe que ainda tem toda uma imagem de “número um” por construir (sobretudo fora das fronteiras partidárias) e que, para isso, precisa de tempo. Algo de que os seus (virtuais) apoiantes também estão bem conscientes. Ninguém tem pressa.

Resultado nas autárquicas não condiciona Passos

Até à reunião magna do início do próximo ano reina, pois, a paz podre no PSD. Ano de autárquicas é um seguro de vida para qualquer líder em funções, por mais contestado que seja: ninguém quer ser acusado de estar a contribuir para um mau resultado do partido. Depois de 1 de outubro é que as peças poderão começar a mover-se no sempre complexo xadrez social-democrata. Sem que Passos prometa facilitar a vida a ninguém. Pelo contrário.

Esta quinta-feira, em entrevista à SIC, confirmou que não tem qualquer intenção de retirar ilações do resultado das autárquicas para o seu mandato no PSD: “Não lanço a instabilidade dentro do partido a propósito de eleições com um significado local”, insistiu, garantindo não invocará o resultado das autárquicas para “abandonar o PSD”. Sobre a escolha de Teresa Leal Coelho repetiu o que já tinha dito há duas semanas, no conselho nacional do partido: “Espero que ganhe”. Mas deixou já o reparo: “Se não ganhar, isso não será uma tragédia para o PSD.”

De acordo com a sondagem da Eurosondagem para o Expresso e a SIC, as perspetivas não são famosas para o maior partido da oposição. O estudo revela que o PS é, para a maioria dos portugueses (50,7%), o partido em melhores condições para sair vencedor das autárquicas marcadas para 1 de outubro. Apenas 22,1% (presume-se que o núcleo duro e inamovível de eleitores sociais-democratas) acreditam que será o PSD a ganhar essas eleições.

E se Teresa Leal Coelho (a candidata escolhida pessoalmente por Passos Coelho) não levar a melhor sobre Fernando Medina (o candidato do PS e atual presidente de Câmara), o líder do PSD deve demitir-se?, perguntou-se ainda. As opiniões dos inquiridos são claras: para 55,3% não há dúvida que sim; 32,2%, ainda assim, entendem que não é caso para tanto.

Luís Montenegro. Um dos senhores que se seguem

Se chegar a líder do PSD em 2019 terá 46 anos, exatamente a idade que tinha Sá Carneiro quando morreu, ou Cavaco Silva quando venceu o congresso da Figueira da Foz. Por agora, Luís Filipe Montenegro “limita-se” ao papel de líder parlamentar do PSD (cargo que abandona no início do ano por força da limitação de mandatos). Tem sido um leal colaborador de Passos Coelho, o que o coloca à margem de um cenário de disputa do lugar ao atual líder. Mas no PSD ninguém duvida que tem vindo a trabalhar discretamente na sombra para se consolidar como nome de futuro, “patrocinado” por figuras de peso no partido. Advogado, deputado pelo distrito de Aveiro, há uns anos admitiu a sua ligação à maçonaria. Pode não ajudar, mas certamente não vai dificultar a progressão na carreira de um homem a quem até Marcelo elogia “qualidades invulgares” e augura “muitos sucessos políticos”.