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BE pede "coragem" ao Governo para reverter o "gigantesco aumento de impostos" no IRS

ALEXANDRE RIBEIRO / LUSA

Catarina Martins defende que é preciso "garantir a continuação da recuperação dos salários, das pensões de todas as pessoas" e diz que "isso consegue-se tendo a coragem de mexer nos escalões do IRS" e reverter o "gigantesco aumento de impostos" decretado por Vítor Gaspar no anterior Governo

A coordenadora do BE, Catarina Martins, desafiou hoje o Governo a começar a inverter no próximo Orçamento do Estado "o gigantesco aumento de impostos" feito pelo anterior executivo através da alteração dos escalões de IRS.

"Precisamos de garantir a continuação da recuperação dos salários, das pensões de todas as pessoas e isso consegue-se tendo a coragem de mexer nos escalões do IRS para começar a reverter o gigantesco aumento de impostos que foi feito por Vítor Gaspar [ex-ministro das Finanças]", desafiou Catarina Martins, à margem da apresentação da candidatura do partido em Cascais, protagonizada pela antiga deputada do BE Cecília Honório.

Para Catarina Martins, "o passo que vai ter de ser feito no próximo Orçamento do Estado" será "voltar a ter um IRS mais progressivo, com mais escalões" para que os trabalhadores por conta de outrem e pensionistas possam ter mais rendimento no final do mês. "Se esse é um trabalho difícil, não pode ficar de lado e há que começar pelos rendimentos mais baixos", apelou.

Recorde-se que, como o Expresso avançou na semana passada, o Governo já está a discutir com o Bloco de Esquerda, com o PCP e Os Verdes a revisão dos escalões de IRS que deverá integrar o Orçamento do Estado para 2018. "Temos um compromisso de aumentar a progressividade nos escalões de IRS. E é isso que vamos fazer", assumiu então o secretário do Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos.

Confirmando a realização de reuniões preparatórias com os parceiros de esquerda no sentido de aumentar a progressividade dos escalões de IRS, o governante assumiu que está é, no entanto, uma "matéria que ainda vai dar muito trabalho", tendo em conta o expectável impacto na receita do Estado. "Estamos a fazer contas, porque obviamente que uma atualização dos escalões ou um aumento da progressividade não vai ser neutral no orçamento", disse ao Expresso.

A coordenadora do BE também afirmou hoje, aliás, que os trabalhos de preparação com o PS para o Orçamento do Estado de 2018 já começaram e que antevê "negociações muito difíceis". "Não temos sempre as mesmas posições do PS, que normalmente hesita sempre antes de ter coragem de dizer alguma coisa que a Comissão Europeia não goste", criticou Catarina Martins.

A coordenadora do BE salientou, contudo, que "a Comissão Europeia nunca quis aumento do Salário Mínimo Nacional e achava que os cortes nas pensões eram o único caminho". "A força para que houvesse a coragem dessa mudança é a força do Bloco de Esquerda", salientou.

No próximo Orçamento do Estado, além da revisão dos escalões do IRS, a coordenadora do BE quer ver também cumpridos compromissos já assumidos no atual Orçamento, "seja o descongelamento das carreiras, seja o plano nacional de combate à precariedade".

"Mas precisamos de mais (...). Essa é a determinação do BE e esse é o caminho que fazemos, continuar a recuperação de rendimentos, parar o empobrecimento do país exige não parar sobre o que foi feito, mas ter a coragem de continuar", desafiou.