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Expresso

Política

António Mexia critica propostas de limitação de salários privados

António pedro ferreira

Presidente da EDP defende que o seu ordenado "diz respeito exclusivamente aos acionistas". O que é necessário, diz, é "aumentar o bolo" da economia portuguesa e não "ratar migalhas" nos vencimentos dos gestores

O presidente da EDP, António Mexia, defende que as iniciativas políticas que pretendam controlar os salários no sector privado terão como consequência "a pobreza". O argumento foi apresentado numa entrevista à TSF e ao "Dinheiro Vivo", onde, confrontado com o objetivo do Bloco de Esquerda de limitar os salários milionários de alguns gestores de empresas privadas, contrapôs que a questão do seu vencimento na EDP "diz respeito exclusivamente aos acionistas" da empresa.

"Arbitrariamente, querer interferir nisso só tem um destino: é a pobreza", defendeu Mexia, argumentando que, a avançar, essas iniciativas trariam também "subinvestimento" ao país. "A sociedade para ser mais justa - e ela tem de ser obrigatoriamente mais justa - também tem de ser eficiente. A grande discussão é como é que eu aumento o tamanho do bolo. Não é 'espera aí que eu agora vou ali ratar umas migalhas no bolo'", contrapôs Mexia depois de desvalorizar os mais de dois milhões de euros que ganhou no ano passado.

"As críticas acontecem sobretudo quando conjugo o salário com prémio anual, quando se atingem os objetivos, que poderiam estar ou não estar lá. Têm estado lá, porque a companhia tem ultrapassado os objetivos", defendeu, insistindo na ideia de que o seu vencimento "diz respeito exclusivamente aos acionistas". "A EDP é uma companhia privada, não tem que ver com mais nada a não ser com os acionistas".

Recorde-se que em março a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, defendeu que o país não pode continuar a ter "setores de privilégio ilimitado" e que são necessárias "regras na economia para que o país possa funcionar e ser mais justo". Nomeadamente no que respeita aos salários de gestores e patrões de empresas que "empregam milhares de trabalhadores com salários modestos".

Nessa intervenção pública, Catarina Martins deu mesmo o exemplo concreto de António Mexia e dos mais de dois milhões de euros que ganhou em 2016. "A cada dia que passou António Mexia ganhou dez salários mínimos nacionais. Por dia são mais de 5.500 euros", criticou, reiterando a necessidade de aumentar os salários de quem trabalha e de limitar o "abuso" dos patrões sobre os trabalhadores.

Em 2016, António Mexia acumulou uma remuneração de 2,03 milhões de euros, valor que inclui salário fixo e prémios de desempenho.