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Álvaro Santos Almeida: “Os portuenses foram traídos e enganados”

O candidato do PSD às eleições autárquicas do Porto, Álvaro Santos Almeida, foi apresentado a 8 de abril

JOSÉ COELHO/LUSA

Candidato à Câmara do Porto do PSD/PPM não poupou nas críticas a Rui Moreia e à gestão autárquica que titula de aberração política, que nem de geringonça se pode qualificar. O independente promete que quer servir e não servir-se do Porto, onde “não tem interesses económicos”

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Num duro discurso de quase oito páginas, Álvaro Santos Almeida, debutante na vida ativa política, oficializou, este sábado, a sua candidatura à Câmara do Porto, cerimónia que contou com a presença de Pedro Passos Coelho, Rui Rio, Luís Montenegro, Paulo Rangel, José Pedro Aguiar Branco, entre outras figuras do partido, sendo notória mas esperada a audência de Luís Filipe Menezes, caído em desgraça no partido após a derrota na Invicta, nas últimas autárquicas.

O independente de 52 anos, afirmou que corre pela cidade onde nasceu, trabalha e reside para servir e não servir-se do Porto, uma cidade onde diz não ter interesses económicos, o que o isente “de conflitos de interesses”. Num remoque ao polémico caso Selminho, imobiliária detida pela família Moreira, as críticas diretas e indiretas ao atual presidente da Câmara do Porto estiveram sempre presentes na mensagem do docente da Faculdade de Economia da Universidade do Porto que o PSD escolheu para recoonsquistar a segunda autarquia do país.

O candidato que corre pelo “Porto Autêntico - Os Portuenses Primeiro” afirma estar preocupado com o futuro de uma cidade que vê no turismo a solução para tudo, “o que é um erro”.

“A qualidade de vida não melhorou porque o atual executivo não está preocupado com os portuenses. O executivo só se interessa pela imagem e a do seu presidente”, afirma, defendendo que só no marketing se viu resultados neste mandato. Para Santos Almeida, uma das poucas coisas que ficam do mandato de Moreira é a nova marca da cidade: Porto, ponto. Um ponto final a que o ex-economista do FMI quer por fim, devolvendo o progresso à cidade iniciado em 2001, nos mandatos de Rui Rio.

Álvaro Santos Almeida frisou ainda que a coligação que governa a Câmara enganou os portuenses. “Os portuenses foram traídos”, repisa, convicto que a autarquia é controlada pelo Partido Socialista, cujo programa foi rejeitado em 2013 pelos eleitores. “O que hoje temos é uma inversão completa de princípios, da ética e da credibilidade na relação entre eleitos e eleitores”, defende Santos Almeida, lembrando que os portuenses votaram num movimento cívico independente, a quem atribuíram 39% dos votos, e derrotou o PS, segundo mais votado com 22%.

O candidato que afirma não ser contra os partidos, o garante de uma sociedade democrática, e a única hipóteses de quem não é rico participar na vida política ativa, diz que o “estado do atual governo autárquico é uma aberração política - que nem de geringonça se pode qualificar”.

Antes de terminar o discurso de apresentação e rumar ao Estádio do Dragão, onde o FC Porto recebe o Belenenses, Santos Almeida afiançou que consigo o Porto será muito diferente, economicamente forte e diversificado, onde o emprego não dependa só do turismo. “Um Porto que seja o farol do Norte, uma cidade que seja a referência económica, social e política do Noroeste Peninsular.

Nada megalómano, garante que irá criar melhores condições de vida para avós, pais e netos. Jardins e parques de proximidade para os mais novos, estruturas e atividades para os mais idosos, melhores serviços de saúde, negligenciados por este executivo. Os cartazes 'Porto Autêntico - Os portugueses primeiro' já estão na rua e o boletim informativo assinado pelo candidato apoiado pelo PSD/PPM já começaram a cair nas caixas de correio dos residentes da Invicta, que finaliza a missiva com a promessa: “Vamos devolver a cidade aos portuenses”.

Numa breve biografia, informa que nasceu no Porto, é pai de dois filhos, comentador permanente do programa 'Conversas Cruzadas, da Renascença, e comentador regular do 'Estado do País: Economia», do Porto Canal, o canal televisivo do FC Porto, clube de que é adepto ferrenho. Se for eleito, afirmou recentemente ao Expresso que abrirá as portas da Câmara aos Dragões, na hora de celebrar os títulos de campeão, algo que Rui Moreira, fiel sócio portista, ainda não teve oportunidade de fazer.