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Ferreira Leite: “É perfeitamente lógico que Centeno tenha sido sondado para o Eurogrupo”

No habitual espaço de comentário, a antiga ministra considerou que a substituição de Jeroen Dijsselbloem do cargo de presidente do Eurogrupo “só faz sentido” se para o seu lugar for um representante dos países visados pela polémica afirmação “da aguardente e mulheres”

Manuela Ferreira Leite considerou que “fez todo o sentido” que Mário Centeno tenha sido sondado para liderar o Eurogrupo, substituindo Jeroen Dijsselbloem. No habitual espaço de comentário, esta quinta-feira à noite na TVI 24, a antiga ministra das Finanças defendeu ser algo “absolutamente natural” e “perfeitamente lógico”.

“Fez muito sentido. Acho absolutamente natural que Centeno tenha sido sondado para o Eurogrupo”, começou por sublinhar Ferreira Leite. “Para a substituição de Dijsselbloem ser credível deveria ser por um representante dos países visados”, acrescentou em referência à polémica declaração do presidente do Eurogrupo sobre os países que pediram ajuda financeira, “aguardente e mulheres”.

Assim sendo, considerou a ex-ministra das Finanças, não “faria sentido ser um italiano, porque Itália já tem representantes nas instituições europeias”, sobrava Portugal e Espanha.

A notícia de que Mário Centeno foi sondado para liderar o Eurogrupo foi avançada pelo Expresso no passado sábado, dando conta que o ministro português foi questionado pessoalmente, mas rejeitou a ideia.

Ainda sobre a Europa, Ferreira Leite defendeu “ser inevitável uma inversão de pensamento”, depois de anos de uma política “rígida e sem alternativa para obter determinados efeitos, que falhou”.

“As posições têm sido tomadas em relação a Portugal, Grécia e até Espanha são de alguma flexibilidade. Quase que apostava que não haverá proximamente nenhum outro país com um processo de resgate na Europa”, disse.

Manuela Ferreira Leite comentou ainda a entrevista de António Costa, esta semana, à Renascença, em que referiu que “não tem sonhos” com a maioria absoluta. Para o primeiro-ministro uma eventual coligação pré-eleitoral entre PS, BE, PCP e PEV “não faria sentido”, porque as diferenças entre estes partidos “são suficientemente profundas”para invalidar tal possibilidade. Além disso, mesmo que os socialistas obtivessem maioria absoluta, “havendo disponibilidade” para “renovar acordos” seria “útil que isso acontecesse”. “Esta mudança política melhorou a qualidade da nossa democracia ao nível da integração politica e contribuiu para que a sociedade esteja mais distendida e confortável”, defendeu Costa.

“Estando a governar com o apoio de outros partidos, penso que não poderia ter dito outra coisa. A afirmação de António Costa vai ter custos para o PS”, comentou esta quinta-feira à noite Ferreira Leite. “Nunca se sabe bem o que lá vem, porque de vez em quando é preciso dar alguma coisita aos partidos que apoiam o Executivo”, acrescentou.

Para a antiga ministra, “será dificílimo que não haja um escrutínio muitíssimo apertado do programa que os socialistas vão apresentar” nas próximas eleições legislativas, uma vez que o PS “vem dizer que mesmo que tivesse maioria absoluta os princípios seriam os mesmos”.

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