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Eurogrupo: Portugal deverá levar polémica Dijsselbloem à reunião em Malta

Os ministros das Finanças do euro reúnem-se esta sexta-feira em Malta. Mourinho Félix deverá pedir explicações ao Presidente do Eurogrupo por causa das declarações sobre álcool, mulheres e os países do sul. De acordo com fontes do Eurogrupo não há para já qualquer discussão em curso para substituir Dijsselbloem

Susana Frexes

em Malta

Correspondente em Bruxelas

A polémica das declarações de Jeroen Dijsselbloem sobre o dinheiro gasto "em álcool e mulheres” não deverá passar ao lado do encontro informal de ministros das Finanças do euro, desta sexta-feira, em La Valletta, ainda que o tema não esteja na agenda oficial.

Ao que o Expresso e a SIC apuraram não só o Presidente do Eurogrupo está preparado para responder às questões sobre o tema, como Portugal não deverá deixar morrer o assunto e vai confrontar diretamente o holandês sobre o que disse em entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung.

Como Mário Centeno não viajou para Malta, será Ricardo Mourinho Félix, o Secretário de Estado adjunto e das Finanças, a representá-lo no encontro e a questionar Dijsselbloem sobre as declarações que o Governo português considera serem "inaceitáveis". Deverá também ser feito um pedido para que se esclareça, uma vez mais, perante os ministros e perante a imprensa.

Dijsselbloem já lamentou que as declarações feitas tenham ofendido alguém, justificando que não se dirigiam aos países do sul e que não tinha a intenção de ofender, mas não retirou o que disse.

No entanto, esta quarta-feira, durante uma visita ao Luxemburgo, o primeiro-ministro António Costa mostrou-se insatisfeito com as explicações. "Pior do que ele disse ao Frankfurter Allgemeine Zeitung, são as explicações que tentou dar, pois demonstraram que ele não compreende o que fez e como ofendeu profundamente os povos do sul da Europa", disse aos jornalistas.

Portugal não esquece e mantém a convicção de que o holandês "não tem condições" para continuar a presidir às reuniões dos ministros das Finanças do euro. No entanto, é para já o único país a dizê-lo abertamente. Apesar da pressão do Parlamento Europeu - onde a maioria dos grupos parlamentares também pediu a demissão de Dijsselbloem - não há ainda sinais de que outros países da moeda única possam juntar-se aos apelos de Costa e pressionar uma saída rápida do holandês do cargo.

Mesmo o ministro da economia espanhol, Luís de Guindos, que não gostou de ler as declarações de Dijsselbloem, não chegou ao ponto de pedir o afastamento do colega holandês. Já o ministério das Finanças alemão preferiu não comentar o teor da entrevista, dizendo apenas que valoriza o trabalho de Jeroen Dijsselbloem. Também o ministério das Finanças eslovaco - cujo ministro Peter Kazimir é socialista - disse ao Expresso que o atual Presidente "está a fazer um excelente trabalho".

De acordo com duas fontes do Eurogrupo, não há também qualquer discussão a decorrer sobre a substituição de Dijsselbloem ou sobre possíveis nomes para lhe sucederem, nem ao nível dos ministros, nem ao nível do Grupo de Trabalho que prepara as reuniões.

A reunião desta sexta-feira, em Malta, deverá ser mais um teste à confiança depositada em Dijsselbloem. No encontro de março, em Bruxelas, os ministros deixaram claro que pelo menos enquanto ele for ministro das Finanças da Holanda - ou seja até à formação de uma nova coligação de Governo - deverá manter-se no cargo.

O mandato de Dijsselbloem termina em janeiro de 2018 e só os ministros das Finanças têm o poder de destituí-lo mais cedo. O holandês já fez saber que está disponível para continuar mesmo depois de deixar de ser ministro.

Em Malta, e no que diz respeito à agenda, os ministros vão voltar a fazer um ponto de situação sobre a segunda avaliação do resgate grego que continua por terminar. Em cima da mesa está ainda o debate sobre crescimento, criação de emprego e investimento, e a ainda sobre a União Bancária.